VÍTOR OGAWA
Desde o dia 12 de fevereiro pesquisadores estão nos bairros de entrevistando pessoas, cujos dados vão ser utilizados na elaboração do Plano de Mobilidade. No entanto, a vida dos pesquisadores não é fácil, já que nem sempre os moradores estão em casa e, o pior, muitas vezes o imóvel está à venda ou para alugar. Outro fato que inviabiliza a participação na pesquisa é quando o imóvel é comercial. Além disso, os deslocamentos entre um imóvel selecionado e outro podem ser extensos. Há também casos de recusa por parte dos moradores, seja por motivos de segurança ou por estarem com pressa.
A reportagem acompanhou a pesquisadora Ariella Besing Motter, contratada pela Logit Engenharia Consultiva, durante a visita aos imóveis na zona leste.
Naquela tarde, sob sol intenso, ela já tinha se dirigido a um imóvel na avenida Dez de Dezembro, mas constatou que a casa, que constava como residencial pelo censo 2010, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), agora havia se tornado comercial. Ela explicou que quando isso ocorre é sorteado um imóvel reserva. De lá, caminhou 850 metros até a rua Nossa Senhora de Lourdes (jardim Amaral). Chamou os moradores batendo palmas várias vezes, mas ninguém atendeu. Só depois foi informada por vizinhos que o morador não se encontrava em casa.
De lá partiu para a rua Nossa Senhora do Rocio (Vila Santa Terezinha), a 700 metros dali, onde enfim encontrou pessoas na casa que podiam atendê-la. No entanto, apenas dois dos três moradores estavam na casa. Por isso, terá que voltar para encontrar o terceiro morador. "Já cheguei a retornar seis vezes para concluir uma entrevista com todos da família. Às vezes cada um tem um horário específico para ser encontrado em casa", declarou.
Motter é formada em direito e concilia as pesquisas com as aulas como aluna especial de mestrado na área de direito urbanístico e ambiental. Ela trabalha 30 horas semanais realizando as pesquisas. Questionada sobre quantos quilômetros percorre em um dia, ela disse que é difícil dizer. "Depende de quantos domicílios foram alocados para mim naquele período e quantas pesquisas já foram finalizadas. Tem dias, em inicio de pesquisa, que ando mais", destacou. Quando dois domicílios abertos ficam muito distantes, a caminhada também é extensa. Em média ela percorre dez imóveis por dia.
A gerente de logística da Logit, Kátia Oliveira Custódio, explicou que foram sorteados para participar da pesquisa 1.133 domicílios de um total de cinco mil. "Esperamos terminar a pesquisa no fim de abril ou início de maio. A primeira leva foi realizada nas casas térreas dos bairros", apontou. Segundo ela, são 34 pesquisadores ligados à UEL (Universidade Estadual de ) e à Unifil. Tantos os pesquisadores como os supervisores são usam uniforme, colete e crachá. As casas sorteadas recebem correspondências emitidas pelo Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de ), informando sobre os procedimentos da pesquisa e também uma senha, que pode ser solicitada pelo morador ao pesquisador como medida de segurança. "Percebemos que muitos moradores nem pedem essa senha, geralmente em bairros de classe mais baixa. Em bairros de classe mais alta, elas têm sido utilizadas", declarou.
Os dados coletados são enviados diariamente e há revisores para cada uma das pesquisas.
Custódio disse que na segunda fase a pesquisa será realizada nos condomínios fechados. Para tentar reduzir a resistência, a empresa pretende realizar reuniões com síndicos e moradores. "Também estamos fazendo a divulgação das pesquisas pela imprensa e colocaremos cartazes em linhas de ônibus", expôs.
A consulta domiciliar permitirá a montagem de um banco de dados que informe precisamente quais as demandas da população quanto à mobilidade e acessibilidade, auxiliando na definição de obras para trazer melhorias e intervenções no sistema viário municipal.
A diretora de Trânsito e Sistema Viário do Ippul , Denise Ziober, explicou que afirma que o trabalho de pesquisa de mobilidade teve início em novembro de 2018, por meio de contagens volumétricas de cruzamentos. "Foram seis mil questionários nas entradas e saídas da cidade. Tivemos o que chamamos de linha de contorno para fazer a calibragem dos dados e as pesquisas de origem e destino embarcada realizadas nos ônibus. Tivemos 89% deste começo concluídos", destacou.
Ela explicou que as pesquisas domiciliares tiveram início em fevereiro. Dos 2.322 domicílios sorteados, cerca de 1,6 mil fora visitados." Às vezes tem domicílio concluído, mas existem aqueles que é preciso retornar para falar com todos os membros da família, já que todos acima de 10 anos de idade precisam ser entrevistados", declarou. Dessa amostragem de 1,6 mil, cerca de 15% já foram concluídos. "Estamos com 29% em andamento e as recusas foram em torno de 12%. Essas recusas aconteceram mais no início da pesquisa, porque os moradores desconfiavam em relação à segurança, mesmo recebendo uma correspondência informando que essa pesquisa seria feita. Mas agora a receptividade é maior e a gente acredita que no fim de abril sejam concluídas as pesquisas de campo", declarou.
Ziober ressaltou que não era realizada uma pesquisa sobre como a população se movimentava desde 1994. "Em 2006, quando o Estado foi rever as linhas de ônibus metropolitanas, eles 'requentaram' dados de 1994, e fizeram algumas coletas para fazer a 'calibragem'", observou. A diretora ressaltou que a cidade se expandiu e mudou bastante e mesmo na área central surgiram muitos empreendimentos. "A rede de transporte foi planejada como radial, convergindo para o terminal central e perpetua até hoje porque ninguém fez pesquisa para rever essa rede", destacou. Ela explicou que o Superbus é um sistema tronco alimentado que pulveriza o transporte pelo terminal central e estações de transferência ao longo de um corredor, que fará com que o transporte fique mais ágil e o trecho possa ser realizado em menor tempo de viagem.
Ela ressaltou que o plano de mobilidade é o resultado da análise dessas pesquisas. "Vamos conseguir traçar cenários por meio de software de simulação, porque em cada canto da cidade temos volume de tráfego por tipo de veículo: caminhão, moto, carro, ônibus, bicicletas. Temos dados inclusive de não motorizados, que fazem caminhadas. A gente pode fazer por trechos de vias modo por modo, ou pelo volume total que disputa espaço nessa mesma via", destacou. Ela explicou que essas respostas são mais complexas e as análises são mais demoradas, mas dependendo da pergunta haverá uma modelagem bem diferente da outra. "Aí sim teremos condições de modelar as redes de transporte coletivo, modelar as rotas principais e prioritárias a esse transporte acessível e inclusive pensar políticas de transportes de cargas na cidade", destacou.
- Mais informações sobre a pesquisa de mobilidade pelo fone (43) 98860-7498 ou na página do Ippul no portal da prefeitura (http://ippul.londrina.pr.gov.br/)
Vítor Ogawa
Reportagem Local
>> Link Original