RAFAEL COSTA
- O embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, esteve em para cumprir uma agenda voltada para negócios entre os dias 11 e 14. Ele teve reuniões com autoridades como o governador Ratinho Junior, com quem assinou um protocolo de intenções para projetos e atividades em diversas áreas, e visitou instituições como a UFPR (Universidade Federal do Paraná). Nesta quinta-feira (14), o diplomata conversou com jornalistas no Centro Israelita do Paraná. Em sua primeira visita ao Estado, Shelley contou que o propósito foi promover negócios entre o Brasil e Israel em áreas como segurança e tecnologias para a agricultura. Ações similares estão sendo feitas em outros Estados.
"Cada um está olhando o que é mais importante. No Nordeste, é mais a água", disse, referindo-se a técnicas israelenses de dessalinização e reaproveitamento. "Aqui, mais agricultura e leite", explicou. O embaixador contou que voltará ao Paraná na terceira semana de maio para avançar na agenda de negócios, dessa vez incluindo outras cidades a serem confirmadas. Ele também disse ter convidado o governador Ratinho Junior para uma visita oficial a Israel, onde será apresentado ao centro de startups do país, ao sistema de segurança pública e a tecnologias para a agricultura.
Em entrevista coletiva, Shelley respondeu a questões sobre a relação entre Israel e o Brasil de - que sinalizou, entre outros acenos, com uma possível mudança de sede da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. O embaixador se mostrou cético quanto a um possível boicote de exportações brasileiras por parte do mundo árabe em solidariedade aos palestinos no caso de haver a transferência. Para ele, trata-se de uma questão econômica, e não política. Shelley entende que estes mercados não escolheriam pagar mais caro, por exemplo, pela carne produzida em outros países. "É uma ameaça que é mais perigosa para eles do que para o Brasil, porque essa carne que eles não compram, a China pode comprar amanhã", disse.
O diplomata explicou que a importância de uma eventual mudança para Israel é simbólica e deixa os israelenses felizes. "Jerusalém sempre vai ser a capital de Israel", defendeu. Shelley disse, contudo, que a questão da embaixada não tem efeito sobre as relações entre os dois países. "Israel sempre foi aliado do Brasil, e agora o governo também está aliado conosco", disse, sugerindo que o Brasil deixou de apoiar mais abertamente seu país e priorizou questões políticas em detrimento da economia no passado.
O embaixador voltou a se referir ao presidente Bolsonaro como "o novo Oswaldo Aranha para Israel" - em referência ao diplomata brasileiro que presidiu a sessão da ONU (Organização das Nações Unidas) em 1947 que levou à criação do Estado judeu. Shelley citou o voto de censura dado pelo Brasil contra o grupo militante palestino Hamas na ONU, em dezembro de 2018, como a primeira medida diplomática brasileira favorável a Israel desde então. "Tudo indica que Brasil e Israel vão ser mais próximos e vão fazer mais negócios", disse.
Rafael Costa
Reportagem Local
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