MASSACRE EM SUZANO Que tristeza
A tragédia que se abateu sobre os estudantes de Suzano chocou a todos nós. Apontar com precisão suas causas é difícil e arriscado, pois cairíamos facilmente no lugar-comum dos discursos sociológicos e políticos. Prefiro chorar como os pais que perderam seus filhos e os professores que perderam seus alunos. Suponho não haver dor maior. Bullying, condição social adversa, etc., nada justifica tamanho desastre. O desamor caiu impiedosamente sobre uma escola que se propõe a preparar jovens para a vida. Mesmo habituados à brutalidade do dia a dia, sentimos imensa tristeza. Não se pode afirmar categoricamente que atos como esse decorrem da banalização do uso de armas de fogo, mas parece óbvio que as reiteradas manifestações nesse sentido influenciam a juventude, que também é estimulada por simulações de atraentes jogos eletrônicos. A facilidade de acesso a esses incríveis passatempos abre caminho para atitudes mórbidas de consequências imprevisíveis. Quisera poder abraçar, um a um, todos os professores, funcionários, pais e alunos dessa escola. Na impossibilidade, abraço-os espiritualmente – se é que isso é possível. FLÁVIO TINÉ flavio.tine@gmail.com São Paulo
Games e ausência
Eu não tenho dúvidas de que esse massacre na escola em Suzano tem muito que ver com a influência desses jogos eletrônicos, que estão levando muitos jovens a cometer atos de violência. Alie-se a isso a ausência dos pais. Não a ausência física, mas a omissão familiar. PANAYOTIS POULIS ppoulis46@gmail.com Rio de Janeiro
Resultado da omissão
Massacre, tragédia, atentado, chacina, assassinatos em série, que importa o nome que possamos dar a esse terrível acontecimento? Não se trata de buscar culpados, mas, sim, responsáveis pela educação. Lembramos que o lar é a primeira escola da criança. É com os pais, com a família, que os filhos aprendem a dar os primeiros passos, aprendem a falar, a ouvir e a respeitar regras que lhes são apresentadas. Cabe à família estabelecer valores éticos, morais e sociais ao longo da vida dos filhos. A segunda família da criança é a escola, onde ela aprende a conviver com o diferente, a respeitar o próximo, a fazer amigos, a discernir o que é bom do que não é, pondo em prática o que aprendeu em casa. Inicia-se aí um processo de escolhas na vida da criança, em que o papel dos pais é fundamental, mas não só, a escola também ajuda na formação dos alunos. E por que esse acontecimento choca a todos nós? Por medo ou omissão, muitos pais deixam de exercer sua autoridade sobre os filhos, impondo regras e limites. Afirmo sem medo de errar, criança gosta de limites e pede por eles, mas muitos pais preferem mimá-los, não contrariá-los. Eis o resultado. IZABEL AVALLONE izabelavallone@gmail.com São Paulo
Falta tudo nas escolas
Como professor que fui e que acompanha o atual ensino público paulista, sei que tristes acontecimentos como esse podem se repetir. A estrutura das escolas não tem condições de acompanhar os alunos de famílias vulneráveis para saber por que eles deixam de frequentar as aulas. E ninguém toma providências porque no ensino público paulista falta quase tudo. A presença em cada escola de um assistente social seria exigir muito de nossos governantes. E há muitos alunos nas mesmas condições do Guilherme, que era um jovem de família desestruturada. Culpar a direção da escola? Jamais. Ela também é vítima dessa estrutura do nosso ensino público. Mal tem tempo de cuidar de tantos problemas que surgem no dia a dia escolar, não dá para verificar quem desistiu e/ou como é o lar dos jovens. Bullying? Guilherme era vítima de injustiça social e não dispunha de meios para adquirir os mesmos objetos que seus colegas tinham. Incentivo familiar para prosseguir nos estudos? Impossível. Apoio moral e orientação? Nas condições em que ele vivia, caberia à assistência social substituir a ausência dos pais. Mas é querer muito num país que não tem tempo para os menos assistidos no lar. Lamentavelmente, novas “bombas” explodirão. DELPINO VERISSIMO DA COSTA dcverissimo@gmail.com São Paulo
Segurança
Mesmo o Brasil sendo palco de grandes tragédias, algumas anunciadas, vêm após os acontecimentos nossos governantes com o blá-blá-blá de sempre. Ao baixar a poeira, tudo cai no esquecimento, nada é feito, até a próxima tragédia. A propósito do caso da escola de Suzano, por onde andam as viaturas que rodam com o dístico “Ronda Escolar”? São vistas rodando por toda parte, menos na ronda escolar, para a qual foram destinadas. A meu ver, o governador deveria fazer um estudo mais aprofundado sobre esse assunto. Ainda sobre o episódio de Suzano, será que não há grupos organizados por trás do acontecido? ARNALDO LUIZ DE OLIVEIRA FILHO arluolf@hotmail.com Itapeva
Os prefeitos, em vez de usarem as guardas municipais como polícia e fiscais de trânsito, deveriam empregá-las na segurança das escolas. O artigo 144 da Constituição diz que as guardas são destinadas à proteção dos próprios, bens e serviços municipais. Mesmo nas escolas não municipais deve haver guardas. HEITOR VIANNA P. FILHO lagos@araruama.com.br Araruama (RJ)
POSSE DE ARMAS Sim ou não?
A propósito da discussão sobre a posse de armas, é preciso ter cuidado ao discutir temas polêmicos. Há situações em que a posse é necessária por questão de segurança, quando há real necessidade de se proteger. No caso de moradores de regiões desertas ou afastadas, ou ainda sujeitas a ataques de animais selvagens, a posse se impõe, pois não há a quem recorrer rapidamente em caso de emergência. É claro que a posse deve ser limitada, tanto em número quanto à especificação de armamentos. Não cabe alguém dispor de armas de grosso calibre ou com capacidade de repetição. O possuidor também deve preencher requisitos morais, psicológicos e éticos, que as autoridades definam pormenorizadamente. Assim, e com critério seguro, a posse ficará restrita. Quanto ao porte, não creio que o cidadão precise estar armado para sair à rua. A proteção das pessoas é dever do poder público, que deve fornecer condições de segurança a todos. Então, a meu ver, o porte não só deve ser proibido, como configurar crime potencial de ofensa à integridade do ser humano, e se tornar inafiançável. Uma legislação dura a esse respeito, com pena a ser cumprida em regime fechado, sem artimanhas judiciais para escapar da prisão, com certeza será desencorajadora. CÉLIO DAL LIM DE MELLO celimello02@gmail.com Curitiba