A proteção de nossos tesouros
São em tragédias como a ocorrida na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, com duas funcionárias e cinco alunos mortos, que algumas das mais importantes autoridades brasileiras revelam não só a miudeza de caráter, como o despreparo para lidar com a administração de um país complexo como o Brasil, sobretudo diante de fatos dessa natureza.
Aliás, de tragédia em tragédia, de esquecimento em esquecimento, vamos construindo alguns dos mais tristes capítulos de nossa longa história de violência. Seguindo o extenso fio que leva às causas do cometimento dessa barbárie, é possível encontrar ações e medidas definidas por essas mesmas autoridades que, direta ou indiretamente, deram parcela de contribuição para o desfecho desse crime.
A questão primeira que se impõe, e talvez a mais fundamental, diz respeito a total falta de controle nas portarias das escolas pública em todo o país. Os bancos, lembra um cidadão anônimo, mantém diuturnamente seguranças armados e controles eletrônicos rígidos na entrada de seus estabelecimentos para a proteção do dinheiro. “Por que o mesmo não pode ser feito em todas as escolas do país que abrigam riquezas infinitamente superiores aos bens materiais?”, questiona esse mesmo cidadão. A uma colocação certeira como essa se contrapuseram dezenas de manifestações oportunistas, vindas de diversas autoridades, que melhor fariam se guardassem silêncio em respeito aos mortos.
Para alguns políticos, obviamente da oposição, a tragédia é resultado direto das ações do atual governo visando abrandar o acesso às armas pelos cidadãos. Mensagens enviadas pelas redes sociais mostram que alguns profissionais da política, que nem merecem ser citados, aproveitam o ocorrido para fazer proselitismo e angariar vantagens político-eleitorais.
Outros, mais ousados, chegam a culpar diretamente o atual governo pelo fato. Esquecem esses políticos que, na ponta inicial do fio que conduziu a esse crime estão a malversação do dinheiro público, a corrupção e a leniência com atos criminosos, praticados contra a administração pública, que retiram recursos preciosos que poderiam equipar escolas com aparelhos de segurança e garantir o direito à vida de inocentes. Gela a coluna vertebral pensar que o Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição, possa cogitar em qualquer circunstância abrandar pena para a malversação do dinheiro público. Verba surrupiada é verba não aplicada em saúde, educação, transporte, segurança, alimentação, trabalho, direitos amparados pela Carta Magna.
O fato desse tipo de tragédia não ser corriqueiro em nossas escolas de nada serve para adiar um plano nacional para assegurar que os alunos possam, ao menos, sair vivos das escolas, já que a qualidade do ensino não é lá essas coisas.
Nesse sentido, ao lado de ações como a chamada militarização das escolas, que trouxe policiais aposentados para ajudar na administração de alguns colégios públicos no Distrito Federal, que medidas efetiva o GDF vem fazendo no sentido de prevenir que massacres como o de Suzano não venham a ocorrer na capital?
A frase que foi pronunciada
“Que me desculpem os editores que optam por esta abordagem mas, na minha opinião, exibir as imagens do ataque à escola de Suzano não ajuda ninguém, é um desrespeito às vítimas, um incentivo a desequilibrados e psicopatas e alimenta pesadelos de crianças, adolescentes e pais.”
Realmente virtual
» Por falar em Twitter, estamos também no Instagram. É bem prático participar, comentar e compartilhar. Sejam todos muito bem-vindos. Busque na lupa #vistolidoeouvido
Menção honrosa
» Pacientes atendidos na UPA do Valparaíso de Goiás não poupam elogios ao bom atendimento. As instalações confortáveis, médicos gentis e prestativos e todo o corpo de enfermagem muito atencioso. Pábio Mossoró, prefeito do local (nascido em Sobradinho) e toda equipe tem mostrado seriedade no que fazem.
Isso posto
» Contribuição e Imposto divergem no arbítrio. Só contribui quem quer, mas se a taxa for imposta, o pagamento é obrigatório. A atividade sindical é sustentada pelos associados que acreditam na importância desse trabalho, portanto devem contribuir voluntariamente para a manutenção desse empreendimento.
Coragem
» Com a destruição do pinheiral do Paranoá e a iminência de construção de centenas de prédios, há a possibilidade de reaver o projeto da ponte do Setor de Mansões do Lago Norte, para a Península Norte até a UnB. Resta saber quem enfrentará o lote ocupado que foi desapropriado anos atrás para este fim.
História de Brasília
» Imprópria, tremendamente imprópria, a localização do Centro de Telex, em frente ao bloco 11 da superquadra 208. Uma obra naquele local só poderia ter sido autorizada por um inimigo de Brasília. É tempo ainda, doutor Sette. Não começaram as fundações do edifício que construirão no meio do asfalto. (Publicado em 15.11.1961)