Suspeita de grupo criminoso

Ministério Público de São Paulo não descarta que uma organização tenha atuado com os dois criminosos na tragédia. Investigações farão varredura na internet, inclusive em site de brasiliense

CORREIO BRAZILIENSE (DF) | BRASIL | 15/03/2019
Polícia faz perícia no carro usado pelos atiradores: apurações sobre a motivação e a organização da crueldade
O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio, afirmou, ontem, que o Ministério Público não descarta a possibilidade da atuação de uma organização criminosa na tragédia de Suzano. No mesmo dia do ataque, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) foi escalado para atuar nas investigações.
“Vamos fazer uma investigação ampla em todas as linhas para saber como eles tiveram acesso às armas, se há um grupo que atua com eles, se há uma rede de comunicação entre eles, as motivações e a forma do crime”, disse Smanio. “Não descartamos nada. Se houver outras pessoas envolvidas, vamos alcançar essas pessoas.”
Segundo o procurador-geral, o MP vai atuar com o núcleo de investigações cibernéticas do Gaeco para averiguar os contatos mantidos pela internet de Luiz Henrique de Castro e o adolescente Guilherme Taucci Monteiro, autores do massacre em Suzano.
Hacker de Brasília
Os rapazes faziam parte de fóruns na internet ligados a videogames de violência. Logo após o ataque, surgiram indícios da participação dos autores em um fórum virtual conhecido como Dogolachan, um grupo de ódio na deep web — espaço da internet inacessível por navegadores comuns e com menos regulação.
O fórum já foi alvo de uma operação da Polícia Federal que resultou na prisão do brasiliense Marcelo Valle Silveira Mello, apontado como um dos líderes do grupo. Ele havia sido preso em 2012, voltou à cadeia em maio do ano passado na Operação Bravata e foi condenado em dezembro pelo juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, pelos crimes de associação criminosa, racismo, coação, incitação ao cometimento de crimes e terrorismo. “Vamos investigar os computadores, os indícios nas residências deles, os locais que frequentavam e os vínculos com outras pessoas”, ressaltou Smanio.
As investigações também seguem na linha de descobrir como os jovens tiveram acesso ao armamento utilizado no crime, em especial o revólver .38. O promotor Rafael Ribeiro do Val foi nomeado para atuar no caso.
Os trabalhos estão sendo conduzidos pela Delegacia de Polícia Central de Suzano. Na quarta-feira, os investigadores ouviram testemunhas e os pais dos autores.


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