Gravações telefônicas mostram que vizinhos ligaram para a Polícia Militar (PM) para denunciar a briga de casal que terminou com a morte de Daniela Eduarda Alves, em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba. O marido dela, Emerson Bezerra, foi preso suspeito de ter esfaqueado Daniela. Os dois estavam casados há três anos. De acordo com áudios anexos à investigação, pelo menos oito ligações de vizinhos foram registradas, antes do crime. Nos áudios, os moradores cobram a chegada da equipe policial, diante do alto barulho das agressões. Os atendentes da PM respondem que os carros estão atendendo outras ocorrências e que, por isso, era necessário esperar. O socorro chegou, quando a vítima já estava morta. Ligações Confira, abaixo, trechos das ligações feitas. Atendente da PM: "Polícia militar, emergência". Denunciante: "Eu estou ouvindo uns gritos aqui atrás da minha rua, uma mulher pedindo socorro". Nas ligações, os moradores relatam sobre as agressões. Denunciante: "Tem um homem, um vizinho que está batendo muito na mulher. Eu acho que até matou". Os vizinhos insistem, desesperados. Denunciante: "É a terceira vez que eu estou ligando". Policial: "Já está sendo encaminhado o atendimento aí". Denunciante: "Meu Deus, mas por quê demora tanto?". Policial: "Porque a viatura, ela está dando atendimento a uma outra ocorrência, daí tem que esperar liberar, para atender essa". A primeira ligação dos moradores para a polícia foi registrada às 1h da madrugada. Emerson matou Daniela às 1h40. Segundo a polícia, a viatura só chegou ao local do crime às 2h20. Entre a primeira ligação e a chegada dos policiais, se passou uma hora e vinte. Depois do crime, Emerson fugiu para casa do padrasto, que denunciou o assassinato para a polícia. Veja, abaixo. Padrasto: "Oi, boa noite". Policial: "Boa noite, qual é a emergência?" Padrasto: "Meu enteado tá aqui na minha casa, ele diz que matou a esposa dele lá na Fazenda Rio Grande. ele tá todo ensanguentado". A defesa de Emerson Bezerra afirmou que o réu é confesso, mas que entende que não se trata de feminicídio e disse que vai provar isso ao longo do processo. O que diz a PM A Polícia Militar disse, em nota, que recebeu chamados e que, no momento das ligações, os carros policiais que atuam na região estavam em atendimento à outras ocorrências. Ainda conforme a PM, assim que um dos carros foi liberado, uma equipe foi até o local. Logo depois do crime, de acordo com a PM, os policiais receberam denúncias e localizaram o homem na casa da família dele. A nota diz ainda que, por reconhecer a complexidade dos fatos, a PM começou uma apuração sobre o caso. A polícia não informou que tipo de ocorrência as viaturas estavam atendendo no momento das chamadas.