Veja as exigências que Foz precisa incluir no processo de privatização do aeroporto

PORTAL H2FOZ (PR) | TURISMO | 15/03/2019
H2Foz  - Cláudio Dalla Benetta 
Em artigo publicado nesta quinta (14), aqui no H2Foz, comentamos que é fundamental acompanhar de perto o processo de privatização do aeroporto de Foz do Iguaçu, sob risco de acontecer com o terminal o que houve com a concessão das rodovias paranaenses: taxas mais elevadas sem contrapartida das obras necessárias.
De Lisboa, onde participa da Bolsa Turismo Lisboa Travel Market (BTL), que tem o slogan de "maior plataforma de contatos em Portugal relacionada com o mundo", o secretário de Turismo, Indústria, Comércio e Projetos Estratégicos, Gilmar Piolla, entrou em contato com o H2Foz, via WhatsApp, para dizer o que Foz do Iguaçu exige que seja incluído no contrato de concessão à iniciativa privada.
1 - ampliação da pista de pouso e decolagem dos atuais 2.195 metros para 3.270 metros;
2 - implantação do ILS CAT II (sistema de pouso por instrumentos);
3 - instalação de mais duas pontes de embarque (serão instaladas agora quatro pontes/fingers, mas ficarão prontas posições para mais duas);
4 - adequação do sistema de balizamento e navegação aérea.
O governador Ratinho Junior, segundo Piolla, está comprometido com a inclusão dessas exigências no edital de licitação. O governador já conversou até mesmo com o presidente Jair Bolsonaro sobre isso e "disse que está garantido", diz Piolla.
Mas, claro, o próprio Piolla sabe que tudo vai depender de pressões fortes, porque até sair o edital tudo pode mudar. 
As últimas informações da Agência Brasil são de que a licitação para concessão dos aeroportos do Sul do Brasil, onde se incluiriam quatro do Paraná - Afonso Pena, Londrina, Bacacheri e Foz do Iguaçu -, ficará para o ano que vem.
Nesta sexta-feira, 15, o governo federal está leiloando as concessões de 12 aeroportos. No bloco Nordeste, entram os aeroportos de Recife (PE), Maceió (AL), Aracaju (SE), Juazeiro do Norte (CE), João Pessoa e Campina Grande (ambos na Paraíba).
No bloco Sudeste, os de Vitória (ES) e Macaé (RJ). E no bloco Centro-Oeste, os aeroportos de Cuiabá, Sinop, Rondonópolis e Alta Floresta, no Mato Grosso.
Esta de hoje é a quinta rodada de concessões. A sexta rodada, de 22 aeroportos, deverá ser anunciada também nesta sexta-feira. Ela ocorrerá em agosto do ano que vem, com 22 aeroportos - é nela que devem entrar os terminais paranaenses, Foz incluído.
Dá tempo, portanto, pra reforçar o lobby em favor do aeroporto de Foz do Iguaçu e das quatro exigências que precisam constar no edital de concessão.
O secretário de Turismo alerta: "Se não incluir esses quatro itens no edital de concessão, ficaremos mais 20 anos lutando pela ampliação do aeroporto".
Sem contar que, de cara, já estão perdidos os projetos do novo sistema de pistas, desenvolvidos pelo Fundo Iguaçu, que previam a construção de uma pista de pouso e decolagem paralela à atual, com capacidade para receber aviões de grande porte. A existente ficaria para uso na taxiagem dos aviões.
De qualquer forma, a ampliação da pista atual resolverá a questão da atração de voos internacionais, evitando que o aeroporto de Foz fique atrás até do terminal de Puerto Iguazú, que a partir de junho recebe o primeiro voo direto da Europa (ligação com Madri).
"Ampliar a pista é fundamental para conquistarmos novos mercados e darmos sustentabilidade aos atrativos, rede hoteleira, restaurantes e toda a cadeia produtiva do turismo", lembra Gilmar Piolla.
E completa: "Sem infraestrutura não há conectividade e sem conectividade não temos como  desenvolver o turismo".
Qual é a importância de uma cidade como Foz receber voos diretos da Europa ou América do Norte? Primeiro, porque viriam mais turistas, logicamente. E, segundo, Foz do Iguaçu ficaria livre do controle dos DMCs do Rio de Janeiro, segundo o secretário municipal de Turismo.
Explicando: DMCs é a sigla de Destination Management Companies, as empresas que recebem turistas estrangeiros. No caso de Foz, a cidade depende dos DMCs do Rio de Janeiro, porta de entrada no Brasil para turistas que vêm em busca de lazer. Quando recebem visitantes interessados em conhecer as Cataratas, os DMCs preveem para este destino um dia ou um dia e meio, apenas.
Quer dizer, os turistas passam uma noite aqui, conhecem as Cataratas - com sorte, nos dois lados -, e vão embora. Se viessem diretamente pra cá, o prazo de permanência seria certamente muito maior, porque o receptivo seria feito por gente daqui.
Como diz Piolla, com a atuação dos DMCs do Rio de janeiro, "nós sempre ficamos com as migalhas".
A ligação direta entre Foz do Iguaçu e Lima, no Peru, "quebrou esse paradigma", lembra, porque eliminou intermediários. É essa também a intenção de Foz ao batalhar para conquistar o voo da Copa Airlines para o Panamá, "hub" para voos dos Estados Unidos, México e Canadá para cidades da América Latina.
Já o aeroporto da cidade vizinha deu um salto grande nesta quebra de paradigma, ao conquistar uma ligação direta com Madri, na Espanha. Serão dois voos semanais a partir de junho.
Para Piolla, isso foi resultado de uma "visão estratégica" do governo argentino, que entendeu a importância de oferecer aeroportos alternativos para as empresas aéreas que querem novas operações. "Os aeroportos das grandes capitais estão saturados", por isso abre-se a possibilidade para terminais menores.
Com o voo direto, Puerto Iguazú livra-se dos DMCs de Buenos Aires - que funcionam como os do Rio de Janeiro em relação a Foz do Iguaçu.
O grande temor de Piolla é que, com uma privatização mal planejada e sem a garantia dos quatro itens reivindicados, Foz do Iguaçu fique na rabeira de Puerto Iguazú, que cada vez terá condições de conquistar mais voos, inclusive aqueles que se destinariam a este lado da fronteira.
Numa visão de futuro negativa, o turismo de Foz ficará dependendo dos estrangeiros que vão desembarcar em Puerto Iguazú e, só por sorte, optarão por se hospedar em Foz. Os hotéis da cidade que recebem mais estrangeiros já não estão hoje em situação boa. E pode piorar.
Enfim, o alerta feito ontem aqui no H2Foz (veja aqui) é válido. Não dá pra confiar apenas em promessas, é preciso estar pronto para a "briga".


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