A Arquidiocese de Cascavel fez uma carta cobrando providências do Estado e do INCRA sobre uma área ocupada há 20 anos por 11 famílias na Comunidade Jangadinha.
Segundo a cobrança, as famílias foram colocadas na área de forma provisória com a promessa do Estado e do INCRA de ser resolvida em definitivo a situação o que não ocorreu ainda.
"Em relação as onze famílias da Comunidade Jangadinha - que se acham em posição de marginalidade e em condições de vida que lhes impedem um crescimento adequado (cf. DSI 182) -, elas não invadiram essa propriedade, mas foram pré-assentadas pelo INCRA com a promessa que receberiam em breve a titulação".
Em outro trecho da carta, a Arquidiocese cobra que medidas urgentes do Estado.
"Diante de uma promessa feita pelo próprio poder público, entendemos que este não pode se furtar, encontrada a solução para o drama do proprietário, em também encontrar uma solução para o drama das referidas famílias, as quais, se nada for feito, padecerão, até mesmo das mínimas condições para a sobrevivência".
Os Padres e o Bispo afirmam que as famílias trabalham e não são invasores. Eles pedem que seja feita uma reintegração pacífica e ordeira e que o melhor seja feito para todos.
"Além de cultivar cereais e hortifrutigranjeiros, de acolher crianças e adolescentes que aguardam por adoção, as famílias vivem em uma comunidade organizada, pacífica e ordeira. Desta maneira, reiteramos nossa confiança no Governador do Estado e no INCRA para a solução desse impasse; e, além disso, manifestamos reconhecer como legitima a reivindicação das onze famílias que há 20 anos trabalham nesta área, bem como a solicitação do proprietário pela reintegração de posse; pois, garantir o direito a propriedade privada, "é garantia de uma reta ordem social" (DSI 176)".
CONFIRA A CARTA NA ÍNTEGRA:
O Arcebispo e os Padres da Arquidiocese de Cascavel, diocesanos e religiosos, agindo como pastores zelosos pelo rebanho e manifestando preocupação com aqueles que estão envolvidos na disputa pela terra na Estrada Rio da Paz - Cascavel/PR, solicitam ao Exmo. Senhor Sandro Márcio Fecchio, Superintendente (interino) Regional do Instituto Nacional de Reforma Agrária - INCRA e ao Exmo. Senhor Carlos Roberto Massa Júnior, Governador do Estado do Paraná, urgência na solução da demanda da Reintegração de Posse na Comunidade Jangadinha.
Na solução deste conflito e de tantos outros no Estado do Paraná faz-se necessário reafirmar o direito à propriedade privada, quando esta foi adquirida com o trabalho pessoal ou dos antepasados (cf. Centessimus Annus 31), mas também que "o direito à propriedade privada está subordinado ao direito ao uso comum, subordinado à destinação universal dos bens" (Laborem exercens 14). Aliás, este entendimento abanca, por exemplo, o direito de desapropriação por parte do Estado.
Em relação as onze famílias da Comunidade Jangadinha - que se acham em posição de marginalidade e em condições de vida que lhes impedem um crescimento adequado (cf. DSI 182) -, elas não invadiram essa propriedade, mas foram pré-assentadas pelo INCRA com a promessa que receberiam em breve a titulação.
Diante de uma promessa feita pelo próprio poder público, entendemos que este não pode se furtar, encontrada a solução para o drama do proprietário, em também encontrar uma solução para o drama das referidas famílias, as quais, se nada for feito, padecerão, até mesmo das mínimas condições para a sobrevivência.
Além de cultivar cereais e hortifrutigranjeiros, de acolher crianças e adolescentes que aguardam por adoção, as famílias vivem em uma comunidade organizada, pacífica e ordeira.
Desta maneira, reiteramos nossa confiança no Governador do Estado e no INCRA para a solução desse impasse; e, além disso, manifestamos reconhecer como legitima a reivindicação das onze famílias que há 20 anos trabalham nesta área, bem como a solicitação do proprietário pela reintegração de posse; pois, garantir o direito a propriedade privada, "é garantia de uma reta ordem social" (DSI 176).
Confiamos e afirmamos o entendimento, de ser o poder público o autêntico e legítimo responsável para solucionar problemas de tal ordem, a fim de que a paz seja garantida. Putrossim, cremos que a omissão da parte do Estado em tais questões constitui-se em fonte de violência, de caos e insegurança para todos que no Estado se confiam.
Enfim, não nos omitimos, mas sim nos colocando à disposição, rogamos a Deus, bom êxito às autoridades competentes, ao proprietário desta área e às onze famílias da Comunidade Jangadinha na busca de uma solução pacífica para essa questão. Reafirmamos que "a violência nunca constitui uma resposta justa e má, que a violência como solução para os problemas é inaceitável, que a violência é indigna do homem" (João Paulo II, Discurso em Drogheda, Irlanda, 29.09.1979)
CONFIRA AQUI A CARTA
Redação Catve.com
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