NÃO TEM coisa mais chata que torneira pingando. Isto inferniza os ouvidos e o cérebro de qualquer um. Pois é o que está acontecendo com o contrato da Sanepar para gestão da água e do esgoto da cidade de Cascavel. O contrato foi renovado em 2004, sobre intensa discussão e tentativa de municipalização dos serviços.
O contrato oneroso rendeu alguns ganhos, como um mal feito desassoreamento do lago, algumas obras de contenção meia boca e investimentos da empresa em recuperação de nascentes e plantio de árvores.
Agora, as vésperas de começar a discussão para renovação ou não da concessão que vence em 2024, ou seja, no final do mandato do prefeito a ser eleito em 2020, inicia-se novamente o debate; renovar ou municipalizar?
Se depender do vereador Romulo Quintino, que levantou por primeiro a questão este ano, tendo como esteira os aumentos exagerados da companhia, que parece só querer visar lucro, não se faz nem uma coisa, nem outra. Para ele, o contrato foi rompido na cláusula preço. A companhia aumentou taxas e alterou o contrato que previa 10 m³ de consumo para 5 m³ de consumo, com aumento considerável, nos últimos quatro anos o preço da água e do esgoto aumentaram mais de 50%, rompendo assim o contrato.
Discussão a parte sobre contrato o fato é que a Sanepar não é 100% pública e nos últimos anos persegue lucro e valorização de seu patrimônio para contentar o bolso de seus investidores. Mas é fato que hoje, a municipalização seria algo arriscado. Se o município não consegue dar conta da demanda por mais serviços públicos de melhor qualidade, encampar mais um serviço, seria no mínimo temerário. Esta é a mesma opinião do vereador Romulo, que acha que ao invés de municipalização deveria se falar em concorrência mais ampla para renovação do contrato.
“Não há só a Sanepar no mundo que sabe cuidar de água. Por sinal, a empresa reconheceu que existem alguns micros organismos que causaram esta onda de diarreia na cidade.
Quer se nem eles, com todo este lucro fazem um bom serviço, deixar para o município que tem problema para cuidar a saúde, seria temerário. Esta é a realidade. Melhor uma nova concessão aberta a todos”, defendeu.