JÉSSICA PROCÓPIO
Desde 20 de março, as escolas públicas e privadas do Paraná estão com as atividades suspensas. A medida foi tomada como forma de cumprimento a um decreto estadual, emitido em 16 de março, que estabelece medidas para o enfrentamento da pandemia. Após mais de 60 dias com atividades presenciais suspensas, as instituições de ensino têm ministrado aulas através de interações remotas com os alunos. Entre as metodologias, escolas têm utilizado plataformas virtuais, videoaulas, redes sociais, chats, entre outros meios.
Escolas particulares
Com a deliberação 01/2020 do Governo do Estado do Paraná, as instituições particulares ficaram livres para escolher entre seguir com seu calendário escolar, porém de forma não presencial, ou suspender totalmente as atividades e retomá-las após o isolamento social. Na região, de acordo com Fabricio Pretto Guerra, presidente regional do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR), a maioria das escolas tem optado pela continuidade das atividades pedagógicas em plataformas digitais, mesmo que de forma parcial. “O processo, obviamente, é complexo, tendo em vista as diferentes adaptações que são necessárias de acordo com cada faixa etária. Alunos de Ensino Fundamental (anos iniciais), por exemplo, precisam de metodologias diferenciadas. Já alunos de Ensino Fundamental (anos finais) e Ensino Médio, têm condições de manter a concentração por um período maior”, explicou.
Alfabetização no isolamento
Segundo o presidente do Sinepe, as aulas para alunos do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental, que estão em fase de alfabetização, são as mais desafiadoras. “Não podemos exigir que as crianças passem longos períodos em frente ao computador participando de aulas virtuais. Além disso, os alunos necessitam de auxílio e apoio permanente dos responsáveis.” O recomendado, segundo ele, é que os alunos, nesta fase, façam as atividades da maneira que se sintam mais confortáveis, pois assim se sentirão mais atraídos a participar. Guerra comentou ainda que, muitos pais estão preocupados que esta fase de isolamento tenha prejudicado a alfabetização dos filhos e que por isso, muitos contrataram professores particulares. Porém, segundo ele, o mais importante neste momento é tirar a pressão das crianças e deixar o processo acontecer naturalmente. “Elas já estão muito angustiadas em razão da mudança na sua rotina diária” disse explicando que, “no retorno das atividades, as escolas farão atividades de reforço pedagógico, complementando as atividades que não foram possíveis trabalhar em casa.”
Retorno das aulas
Conforme o representante do Sinepe, as escolas ainda não têm uma previsão para retornar com as atividades presenciais. Segundo ele, a retomada das aulas depende da evolução dos casos de Covid-19. “As escolas devem aguardar as determinações dos órgãos competentes autorizando o retorno”, orientou, sem mesmo cogitar uma data, mesmo com a recente declaração do governador Ratinho Junior de que em agosto poderia haver a retomada destas atividades. Prevenção no retorno Recentemente o Sinepe/PR anunciou a criação de um plano de retomada das atividades nas escolas particulares. Nele, estão listadas algumas determinações que as instituições deverão seguir, ao voltar com as aulas presencias. Entre as medidas sugeridas no plano, como essenciais para um retorno seguro, o sindicato prevê, além do uso obrigatório de máscaras, da higienização constante dos ambientes e do distanciamento necessário entre pessoas, a aferição de temperatura de todos que ingressam no ambiente escolar, a disponibilização de álcool gel 70%, entre outras medidas. De acordo com Guerra, as determinações ainda estão sendo estudadas e dependem de aprovação para serem colocadas em prática. Porém, seguem as mesmas diretrizes da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), que no início do mês de maio propôs um plano estratégico para retomada das atividades presenciais. O plano contempla orientações de protocolos a serem seguidos tanto na área da saúde, quanto no ambiente pedagógico e jurídico.
Adequações
De acordo com Guerra, as escolas já estão se preparando para o retorno das aulas. “No momento, as escolas estão estudando a aquisição de equipamentos de higienização, bem como aferidores de temperatura”, contou explicando que ainda não existe nenhuma determinação oficial sobre quais procedimentos as escolas particulares devem seguir na volta às aulas. Transporte de alunos de outros municípios Com o objetivo de fiscalizar os veículos que vem de outros locais para Pato Branco, na segunda-feira (25), duas barreiras sanitárias serão instaladas, no Município. Uma no trevo da BR-280 [trevo da Patrola] e outra no trevo da BR- 280 [Trevo da Catani]. A medida foi adotada como forma de evitar que casos da região oeste de Santa Catarina sejam importados. Tendo em vista que alguns alunos das escolas particulares moram em outros municípios, e destinam-se, diariamente, a Pato Branco para estudar, o Diário do Sudoeste questionou o presidente do Sinepe/PR como seriam o retorno destes para as instituições. Segundo ele, “o controle da entrada nos municípios é de responsabilidade de cada prefeitura. Provavelmente, transportes escolares que venham de regiões com altos índices de Covid-19 devem ser fiscalizados ao entrarem na cidade. No entanto, uma vez que todas as escolas terão controles rígidos para medição dos sintomas de seus alunos, creio que dificilmente haverá problemas neste sentido.”