Impactos da pandemia sobre a economia do Paraná

JORNAL DE BELTRÃO (PR) | OPINIÃO | 22/05/2020
INÁCIO PEREIRA
Para variar, está difícil de falar sobre economia sem citar em algum momento, em alguns casos em mais momentos, em outros menos, mas o fato é que está impossível de não citá-lo. E isso não é dar marketing gratuito para o bicho chinês, mas é que de fato não tem como evitá-lo nesse momento. Acompanhando um pouco do cenário macroeconômico, nesse caso, do Estado do Paraná, onde os números de infectados, óbitos e especialmente de curados, estão melhores que em outras regiões do País, e quase me atrevo a dizer que isso é motivo, sim, de comemoração, visto que se os números estão relativamente bons é, sem dúvida, uma soma de fatores: ações públicas, ações privadas, comportamento e cultura populacional e, quem sabe (eu disse: quem sabe), o próprio clima. Esta última sem embasamento, quase que especulativa. Entretanto, o choque que a pandemia causada pela Covid-19 tem provocado na economia mundial e local é de tal ordem que “nesta crise os governos centrais têm que atuar como garantidores, consumidores e emprestadores de última instância”. É inconcebível ver o sistema financeiro, ferramenta tão importante para o desenvolvimento de uma região, se acovardar e até mesmo sangrar empresas e famílias num momento tão delicado. Um aspecto é liquido e certo: teremos crescimento do desemprego e queda da arrecadação, fato inegável! Teremos um 2020 difícil, não trago nada de novo! A economia paranaense é bastante diversa, e talvez por isso, mesmo havendo cenários de aumento de desemprego, ainda assim, me parece que temos sofrido menos que em outras regiões. * Assim trago um pouco da composição da economia paranaense para reflexão e conhecimento. Agricultura: especialmente a produção das commodi- ties trigo, milho, soja, algodão e café. Pecuária: suínos, leite, ovos, carnes e até mesmo bicho- -da-seda, dentre outros. Mineração: ouro, cobre, minerais nobres, além de outros como a areia, argila, calcário, caulim, dolomita, talco, granitos, mármore, chumbo e ferro. Extrativismo vegetal: especialmente pinos e árvores de reflorestamento. Indústria: metalmecânica, cimento, cerâmica, montagem de máquinas, tecidos, frigoríficos, além das agroindústrias que transformam produtos primários, como soja, milho, carne suína e madeira. Um dado importante é que o parque industrial paranaense reúne, aproximadamente, 24 mil empresas, que geram resultados que superam a média nacional no ramo. * Informações da economia do Paraná: Participação no PIB nacional: 6,2%. Composição do PIB estadual: agropecuário (18,4%), indústria (40%), prestação de serviços (41,6%), volume de exportação: 10 bilhões de dólares. Produtos de exportação: soja e derivados (34,2%), veículos e peças (21,4%), madeira (10%) e carne congelada (8,2%), outros alimentos, como milho, açúcar e café (8,8%). Mesmo com um cenário de encolhimento da economia mundial, e nesse caso leia-se China e Estados Unidos, e baseando-se nas projeções do Ipardes para a economia paranaense, foram traçados três cenários possíveis pelo referido órgão: 1) Um otimista, com variação do PIB do Estado em -0,1%, e perda de 118 mil empregos; outro chamado de base, com perda de 2,9% no PIB e menos 279 mil empregos; um pessimista, com retração de 6,1% no PIB e menos 456 mil empregos. Para se ter uma ideia da dimensão desta crise provocada pela pandemia, em se confirmando o cenário base, a taxa de desemprego do Paraná passaria de 7,3% para quase 12%. Esse é o momento das empresas repensarem suas atividades, seus processos e se reinventarem. Quem melhor se preparar, mais rapidamente sairá dessa crise!

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