Alagamento e enxurrada

Chuva chega, eleva nível de rios, mas causa destruição no campo

O PARANÁ (PR) | GERAL | 23/05/2020
Tupãssi - Após quase um ano da estiagem mais severa dos últimos 30 anos no Paraná, a tão esperada chuva “volumosa” chegou à região oeste. Só que o que poderia cair em dois ou três dias, despejou muita água sobre a região em cerca de 12 horas, dificultando a absorção no solo. O dilúvio também causou muitos estragos em diversos municípios, especialmente no campo. Em Tupãssi, de acordo com a prefeitura, o acumulado nessa sexta-feira (22) chegou a 200 milímetros, praticamente metade do que havia chovido no ano. O grande volume registrado no curto período de tempo fez com que a água causasse enxurradas em diversas lavouras de trigo, especialmente as com plantações mais precoces, foram as mais prejudicadas. A real proporção do prejuízo causado aos produtores ainda não pode ser avaliada, uma vez que depende de cada lavoura e o estágio em que a planta se encontrava. Um panorama geral só deve ser possível após dias de sol em que o produtor poderá percorrer a lavoura e verificar o quanto foi prejudicado. Contudo, em diversos locais ficou evidente que as plantas foram levadas pela enxurrada.

CAFELÂNDIA A situação de Tupãssi também se repetiu em Cafelândia. O secretário de Agricultura do Município, Rogério Schmidt, afirma que diversas propriedades foram atingidas e o prejuízo é certo. “Até o final da manhã dessa sexta-feira (22) já tínhamos registrado 230mm... As lavouras de trigo, onde a terra foi mexida recentemente no plantio foram as mais afetadas pela enxurrada e pela erosão. Ainda é cedo para avaliar as perdas, o produtor precisa verificar a situação e avaliar as ações, pois nos locais em que houve erosão a planta não recupera, mas, como são faixas, muitas vezes não compensa replantar também. Mas já sabemos que houve prejuízos”, afirma.

TOLEDO Em Toledo também houve diversos registros de enxurradas na área rural e o nível do Rio Toledo, que subiu rapidamente, causou alagamentos e prejuízos. Produtores de hortaliças tiveram a propriedade alagada e perderam praticamente tudo. Além das hortaliças, maquinários e documentos da produção foram perdidos. O prejuízo foi avaliado inicialmente em cerca de R$ 30 mil. “Choveu muito para poucas horas, 150mm somente durante a manhã, isso acaba fazendo com que escorra mais água do que o normal. Áreas que estão mal conservadas e já possuíam problemas de escoamento acabaram erodindo”, esclareceu a engenheira agrônoma do Deral (Departamento de Economia Rural) Toledo Jean Marie Ferrari. Sobre a possibilidade de replantio das áreas prejudicadas, ela adianta que é cedo para avaliar. Ela alerta que é necessário aguardar alguns dias para verificar qual é a real situação e o agricultor, juntamente com a assistência técnica, decidir qual a melhor solução.

QUEDA DE ÁRVORES No Município também foi registrado pelo Corpo de Bombeiros um destelhamento e queda de árvores. A prefeitura iniciou um mapeamento de pontos críticos devido à elevação do nível dos rios e alertou a população para possíveis alagamentos. Em Cascavel também houve queda de árvores e alagamentos localizados. Em nenhuma das cidades houve registro de vítimas.


Alívio no abastecimento


Se por um lado a chuva trouxe prejuízo, por outro, o volume de água traz alívio aos rios. Em Cascavel choveu média de 124mm, conforme o Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná). De acordo com a Sanepar, o volume de chuva fez com que o nível do Rio Cascavel subiu e depois de um ano voltou a ficar com 3 metros. O marco possibilitou que a empresa restringisse pelo menos nesta sexta-feira (22) o registro de saída do Lago Municipal, de onde vinha sendo captado volume para abastecimento do Município. De acordo com a Sanepar, ainda é cedo para avaliar quanto desse volume vai permanecer nos rios para aumentar a vazão, mas, embora ela não fique retida, é benéfica para os mananciais. De acordo com dados do Simepar, houve registro de volumes consideráveis em toda a região. Toledo registrou cerca de 188mm, já na região de fronteira o volume foi menor, cerca de 60mm em Foz do Iguaçu. Não há no Simepar nem na Sanepar registro de volume como esse nos últimos dois anos.

#65396755