Vida pós-pandemia: propostas para a nova realidade

Projetos criados em universidades e indústrias de Curitiba integram o futuro depois da covid-19

PLURAL (PR) | NOTICIAS | 21/06/2020
GIOVANA GODOI
É preciso pensar no amanhã. Embora a prioridade do momento seja estudar medicamentos, testar vacinas e adotar hábitos que contenham a propagação do coronavírus a curto prazo, pesquisadores, estudantes e especialistas de Curitiba já investigam, também, estratégias de adaptação à vida pós-pandemia.
Com a experiência de se viver uma pandemia, é possível refletir sobre as questões práticas e os valores sociais que foram ressignificados. Cristina Alessi, presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, pontua um fato relevante para iniciar este debate.
“Antes mesmo do coronavírus existia a necessidade dos empreendedores de compreender o universo digital. O isolamento social, o [rotina caseira de trabalho] e a importância da geração de conteúdo on-line nos estimularam a apoiar. Fizemos mais de cinquenta eventos on-line, como palestras e parcerias em desenvolvimentos de plataformas. Muitos desses conteúdos estavam focados nas temáticas de finanças e marketing digital”, conta Cristina.
“Na pós-pandemia, acredito que haverá um ‘novo normal’ das empresas com às relações on-line. O diálogo que iniciamos não só serviu para sanar crises no presente, como será útil futuramente, sem a covid-19”, enfatiza.
A Agência também promove o , uma competição entre startups (pequenas empresas em iniciação). Elas serão avaliadas à distância (on-line) e as três empresas finalistas receberão investimentos em seus projetos. As inscrições estão encerradas.
Nem tudo é sobre Economia e Empreendedorismo. O diretor do setor de Ciências Exatas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcos Sunye, organiza e direciona iniciativas de pesquisadores do setor às práticas sociais pós-pandemia.
Um dos protótipos é um totem capaz de detectar a temperatura das pessoas, sem a necessidade de contato físico. O panorama é um retorno seguro às aulas presenciais. “A tecnologia pode ser aplicada aos ambientes para a prevenção de contaminação. Devemos usá-la como aliada, e isso vem sendo estudado no departamento de Informática da universidade”, explica o diretor.  
Também já foi desenvolvido um , que deve ser aplicado no momento de retorno gradativo das atividades presenciais na universidade. “Este manual foi elaborado pelo departamento de Enfermagem e pelo setor de Ciências Exatas com o intuito de adaptar as salas de aula e laboratórios às medidas de segurança, dentre outras práticas coletivas e individuais.”
Além disso, o Departamento de Química da universidade, em parceria com a Polícia Científica do Paraná, examina amostras possivelmente falsificadas de álcool em gel, desenvolvendo novas técnicas de detecção. “O combate à covid-19 é uma ação de natureza interdisciplinar, que envolve as várias competências do Setor de Exatas, como Estatística, Matemática, Computação, Química, Física e Expressão Gráfica”, avalia Sunye.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) também trabalha com projetos pós-pandemia, ambos em fase de testes. O primeiro, em parceria com a TNS Nanotecnologia, trata-se de um spray que protege superfícies contra o coronavírus. Ele cria uma camada de proteção com nanopartículas, que reagem até 48 horas. A ideia é promover uma proteção de fácil manuseio, mais durável e eficiente do que o álcool em gel.
O spray, que dever ficar pronto em seis meses, poderá ser usado em maçanetas, mesas e bancadas, balcões de atendimento, corrimões de escadas e corredores, entre outros. No produto, serão utilizadas diferentes tecnologias para a ancoragem das nanopartículas de prata, tornando superfícies comuns em superfícies capazes de inativar o coronavírus.
“O uso desse produto reduz a capacidade de transmissão do vírus. Além disso, pensando na usabilidade, levamos em consideração a importância de ser um produto não tóxico, que seja de fácil aplicação e acesso à população”, explica a pesquisadora Agne de Carvalho Jorge, responsável técnica pelo projeto.
Outro produto desenvolvido pela Senai, em parceria com a Renner Hermann, é uma tinta com propriedades antivirais, que deve inativar o vírus da SARS-CoV-2 em caso de contato com a superfície coberta pelo produto. A ideia é usá-la em hospitais, que, em alguns casos, já usam tintas antibactericidas. Mas o produto também poderá ser vendido a órgãos do governo e à sociedade.
Na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) há estudos voltados para as práticas médicas, especialmente acerca das tecnologias utilizadas para o atendimento remoto: a chamada Telemedicina. A nova técnica divide opiniões médicas. Um estudo do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica da universidade pretende avaliar de que forma a Telemedicina pode auxiliar durante e depois da pandemia.


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