Existem hoje no território paranaense, 203 fabricantes de bebidas, sendo 142 de bebidas alcoólicas e 61 de não alcoólicas. Juntas, geram cerca de 5 mil empregos diretos, conforme dados da
Fiep (
Federação das Indústrias do Estado do Paraná). Uma das expoentes é a Ouro Fino. Marcelo Henrique Marques, CEO da empresa, se orgulha em contar que a água que sai da fonte hoje tem as mesmas propriedades daquela extraída há mais de um século. A água mineral Ouro Fino é envasada desde 1898. A fonte fica em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, e foi com a aquisição da área pela família Mocellin, na década de 1930, que a água pura da marca começou a chegar à mesa dos paranaenses. O nome da fonte remonta ao tempo dos índios que ali habitavam e a batizaram assim porque lá podiam encontrar um “ouro muito fino”. Mas a riqueza maior da mina sempre foi a água. Com 120 anos de história, a Ouro Fino continua sendo uma empresa familiar. Atualmente, a terceira geração da família está no comando dos negócios. Eles empregam cerca de 250 funcionários e geram aproximadamente 2.500 empregos indiretos. O negócio principal é a comercialização de águas, nos mais diferentes formatos e tamanhos de embalagens. A empresa é líder absoluta no mercado de águas no Estado e figura entre as dez maiores de água mineral do Brasil. A estância onde a Ouro Fino está instalada é aberta para visitação pública. Pagando uma pequena taxa de entrada, é possível percorrer as diferentes trilhas do local, sempre apreciando a natureza preservada e exuberante. Há piscinas de água mineral que podem ser usadas pelos visitantes, além de churrasqueiras. Até o início da pandemia, a estância recebia, anualmente, cerca de 60 mil pessoas. CERVEJAS Em 2013, três amigos que gostavam de fazer cerveja em casa como hobby decidiram deixar de lado seus empregos e transformar a paixão por cerveja em um verdadeiro negócio. Assim nasceu a We Are Bastards, uma marca artesanal que produzia, até antes da pandemia, cerca de 60 mil litros por mês. Richard Buschmann, um dos três sócios da cervejaria, conta que a empresa foi crescendo organicamente com o passar dos anos. “Começamos com uma fábrica em Pinhais. Depois abrimos um bar e agora temos essa unidade, que reúne a fábrica e um bar, tudo no mesmo lugar”, explica. A unidade que reúne os dois foi inaugurada nos últimos dias e busca trazer para a capital paranaense uma nova experiência de consumo de cerveja. Aberta do café da manhã à noite, o bar-conceito permite apreciar também o processo de fabricação. Eles empregam cerca de 70 pessoas e a meta é expandir os negócios. De acordo com Buschmann, são produzidos em torno de 30 rótulos de cervejas na fábrica, incluindo as sazonais e as colaborativas. “Hoje, além de abastecer nossos dois bares, temos distribuição em Santa Catarina, Rio de Janeiro, Goiânia. Estamos presentes em quase todo o Brasil”, afirma. A qualidade do produto feito pela marca já recebeu diversos prêmios, nacionais e internacionais. Segundo Buschmann, o mercado cervejeiro cresceu bastante no Brasil como um todo nos últimos anos. “Se pegarmos os consumidores de cerveja artesanal nos Estados Unidos, esse número está chegando a 17%. No Brasil, esse mercado é composto por apenas 1% das pessoas. Somos ainda amadores no entendimento do mercado, mas temos muito para crescer”, aposta. A tendência é confirmada pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). De acordo com dados do Anuário da Cerveja, o mercado cervejeiro está em pleno crescimento. Em 2020, foram abertas 174 novas cervejarias no País. Com isso, são 1.383 estabelecimentos desse tipo em todo o Brasil. O
Paraná é o quinto estado com mais cervejarias no território nacional, ficando atrás de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina. São 146 registros de estabelecimentos desta natureza. No comparativo entre 2019 e 2020, o Estado apresentou alta de 30,4% na abertura de novos negócios deste tipo. TRADIÇÃO Quando Ezígio Cini chegou ao
Paraná e estabeleceu família na Colônia Cecília, em Palmeira, a produção de bebida era apenas para consumo próprio. Eles faziam a gengibirra, bebida à base de gengibre, muito apreciada pelos italianos e seus descendentes. Em 1904, mudaram para São José dos Pinhais e lá começaram uma fábrica de licores e cervejas. Com a guerra e a dificuldade de conseguir insumos, a Cini passou a investir no mercado de bebidas gaseificadas e os tradicionais refrigerantes da marca entraram no mercado paranaense. No fim da década de 1920, a empresa se estabeleceu em Curitiba, onde ficou até 2006, quando retornou a São José dos Pinhais, numa unidade fabril maior. Hoje, na terceira geração à frente dos negócios, a Cini emprega cerca de 300 funcionários e produz uma extensa gama de produtos, entre sucos, chás, energéticos, água e bebidas gaseificadas. “Nossa linha produz 11 mil garrafas por hora. O carro-chefe é a bebida de framboesa, que corresponde a 30% das nossas vendas”, conta Rodrigo Taborda Costa, responsável pelo marketing da empresa.
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