Coluna do Broadcast

O ESTADO DE SÃO PAULO (SP) | COLUNAS | 06/03/2022
EAS, estaleiro do pré-sal, tenta se reinventar após a recuperação judicial
A o assumir o comando do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em agosto de 2019, Nicole Terpins estranhou o silêncio. "Quando assumi (a presidência), tinha uma equipe de 20 pessoas. Pensava: 'Não aguento mais ouvir passarinhos cantar, quero ouvir a sirene (de entrada dos funcionários)'", diz ela. No mês anterior, o EAS tinha entregado o último navio da encolhida lista de encomendas da Transpetro - subsidiária da Petrobras que esteve no centro da Operação Lava Jato. As construtoras Queiroz Galvão e Camargo Corrêa (hoje Mover), que dividiram o controle do empreendimento, também estavam na lista de protagonistas das investigações. O estaleiro, que nunca foi alvo da investigação, entrou em recuperação judicial e, agora, tenta se reinventar.
EAS antecipou pagamento de dívidas
Apesar de um dos credores ter pedido sua falência, o EAS antecipou o pagamento de uma dívida com o excedente de caixa. Reduziu assim em R$ 100 milhões a dívida registrada na recuperação judicial, de R$ 1,4 bilhão. Para este ano, deve fechar a venda de duas áreas do estaleiro para terminais privados.
Estaleiro tem cinco unidades à venda O complexo do estaleiro em Ipojuca (PE), que se estende por 1,62 milhão de m² do conjunto industrial e portuário de Suape, teve uma parte separada em Unidades Produtivas Isoladas (UPIs) para serem alienadas, para pagamento de dívidas. São cinco UPIs divididas em dois blocos que, somados, têm 954 mil m².
VALE. Uma delas, com duas áreas, foi estimada em R$ 380 milhões no documento que definiu o plano de reestruturação. A outra, com três zonas, foi avaliada em R$ 895 milhões. "Estamos negociando duas das principais áreas, ambas destinadas a projetos para terminais privados", diz Terpins. Advogada especializada em fusões e aquisições, ela conduz as conversas. Mas, alegando cláusulas de confidencialidade, não fala de valores nem sobre os candidatos à compra
ESPIRO. Além de fazer caixa para pagar dívidas, o estaleiro tem buscado novos negócios. O principal envolve reparos navais. Assim, o estaleiro, que já teve cerca de 10 mil empregados, agora tem um número flutuante de profissionais, dependendo dos projetos. Hoje são em torno de 500 funcionários.
VENTILADOR GIGANTE. O EAS também prepara a entrada no setor de construção de equipamentos para a indústria geradora de energia eólica. Terpins diz estar confiante com a nova atividade, principalmente, na fabricação de equipamentos para os parques eólicos marítimos (offshore), que devem ser instalados no Nordeste.
ALTERNATIVA. A fábrica de calçados Zeus, em Nova Serrana (MG), viu seu faturamento em 2021 crescer 30%, graças ao aumento das vendas pela internet. Dos R$ 18,6 milhões que a pequena indústria faturou, R$ 3,6 milhões vieram de produtos vendidos diretamente em marketplaces, sem passar por um representante comercial.
SEM INTERMEDIÁRIO. Foi um pulo do gato. A margem da empresa, que na venda ao varejo tradicional é de cerca de 12%, chega a quase 20% nas vendas diretas online. Para estar presente em vários shoppings virtuais, a fábrica contratou os serviços da Hubsales, do Magazine Luiza. Está longe de ser a única: essa área do Magalu teve alta de receita de 42%, em 2021.
EXPONENCIAL. Quando a Hubsales foi comprada, há menos de um ano, 120 fábricas calçadistas de Franca (SP) usavam o serviço. A empresa deve fechar o primeiro trimestre com 300 indústrias de moda. O Magalu não abre o faturamento dessa frente de negócios, mas o avanço é estratégico: a Hubsales coloca os fabricantes em outros marketplaces, além do shopping virtual do Magazine
SOBE
Com guerra, petróleo disparou na semana
Temores de que a oferta global de petróleo fique ainda mais apertada devido ao conflito na Ucrânia fizeram os contratos da commodity disparar na semana. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI para abril subiu 26,30% na semana, a US$ 115,68. O Brent avançou 25,49% no acumulado semanal, a US$ 118,11, na Intercontinental Exchang
DESCE
Incertezas crescem e derrubam bancos
A fuga de capital estrangeiro, impulsionada pelas incertezas geradas pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, pressionou os papéis dos grandes bancos, que caíram com força no encerramento da semana. Bradesco teve recuo de 1,93% (ON) e 2,88% (PN). Já o Banco do Brasil perdeu 2,50%, enquanto Itaú Unibanco caiu 1,52% e Santander, 1,86%.

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