Transição de governo
Lula no palanque Alguém precisa dizer a Lula que a eleição acabou e que ele tem de descer do palanque. Na quintafeira (10/11), o presidente eleito fez um discurso criticando aqueles que pedem a “tal estabilidade fiscal” e responsabilidade com “teto de gastos” – tudo o que não deveria falar neste momento difícil em que se encontram as contas públicas, diante da bomba fiscal que vai cair no colo do novo governo em 2023, a herança maldita de Bolsonaro. A fala desconectada da realidade e irresponsável de Lula assustou investidores, o mercado: a Bolsa de Valores chegou a cair quase 4% e o dólar subiu acima de 4%. Ora, o petista precisa entender que não vai assumir o governo da forma organizada que a gestão de FHC lhe deixou, e menos ainda vai ter à sua mercê uma economia mundial com crescimento vigoroso, tal como teve em seus mandatos anteriores. A economia global está às portas de uma recessão, e o Brasil não vai passar incólume a isso. Com seu discurso, Lula indica à Nação que vai gastar de forma desordenada, como se dinheiro desse em árvore. Se realmente deseja pacificar o País, Lula precisa urgentemente indicar um nome pró-mercado para o Ministério da Fazenda, porque sem responsabilidade fiscal não haverá reajuste acima da inflação para o salário mínimo, tampouco redução da pobreza ou mais verbas para educação e saúde. Precisamos de um governo sereno e sensato, ou os próximos anos serão de mais retrocesso e voo de galinha. Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com São Carlos Discurso com lágrimas Para ser engenheiro, é necessário ter o Crea; advogado, a OAB; médico, o CRM. Para ser motorista, é preciso ter CNH; piloto de avião, o brevê. E para ser presidente da República do Brasil: ser brasileiro nato, ter mais de 35 anos, ser eleitor, ter domicílio eleitoral no Brasil, ser filiado a um partido político e saber ser eloquente para dizer palavras que comovem e que possam produzir lágrimas, muitas lágrimas. Arcangelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com São Paulo De volta às trevas? Lula anunciou, até ser eleito, que promoveria uma gestão austera das contas públicas, ao mesmo tempo que prometia auxílios aos pobres, e de forma perene. Agora, o discurso parece dar as costas à responsabilidade fiscal, com a PEC de R$ 200 bilhões nos remetendo às trevas, como foram o segundo mandato de Lula e a trágica gestão de Dilma com suas pedaladas. Em nenhum momento se fala em privatizar de verdade, em reformar o Estado, reduzindo a máquina, enfim, em achar meios sensatos e responsáveis para a conta fechar. Nada se aprende com os erros de sempre. Rodrigo Cezar Pereira rodrig2705@gmail.com São Paulo Os nervos do mercado Disse a afamada filósofa que “quando Lula fala, o mundo se ilumina”. E não foi pelo bafo que as luzes financeiras tremelicaram no final da semana. Mas quem se importa? Quem? A.Fernandes standyball@hotmail.com São Paulo A lua de mel do novo governo acabou antes do casamento. Gustavo Guimarães da Veiga ggveiga@outlook.com São Paulo Contas em ordem Caro presidente eleito Lula, sem meta de inflação não há crescimento econômico, mas inflação, dólar e juros altos, que os pobres pagam. Sem disciplina fiscal, idem, idem, idem. Vivemos num mundo capitalista, está ligado? Ataque as renúncias fiscais, se quiser gastar mais. E faça a reforma tributária. Cássio M. de R. e Camargos cassiocam@terra.com.br São Paulo Onde a corda arrebenta O futuro presidente ainda não acordou nem percebeu que seu discurso de quinta-feira, na sede de trabalho da equipe de transição de governo, está anacrônico. O dólar disparou e a Petrobras está derretendo. Ele não entendeu que sua idade e sua experiência são o que precisa fundamentar suas diretrizes de governo. Sem a economia em ordem, estável e equilibrada, nada acontecerá, ou, na verdade, os pobres – justamente eles – é que sofrerão mais do que já estão sofrendo. Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com Petrópolis (RJ) Déjà-vu Paulo Bernardo, Guido Mantega, Paulo Okamoto, etc., fazem parte da equipe de transição de Lula. Só falta colocar Sergio Moro no cenário, e estaremos começando tudo de novo. Parece que o Brasil não tem jeito! Luiz Frid fridluiz@gmail.com São Paulo