Primeiro embate
O movimento do ex-ministro Guido Mantega, pedindo o adiamento da eleição do futuro presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) — que tem entre os candidatos o brasileiro Ilan Goldfajn —, expôs desnecessariamente a disputa que até aqui estava velada entre a equipe do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, e os petistas. Na avaliação de outros partidos que compõem o conselho político, esse pedido de Mantega mostrou que o PT é capaz de criar uma crise à toa. Arriscou enfraquecer a candidatura de um técnico brasileiro e, de quebra, o partido ainda perdeu a oportunidade de se mostrar disposto a um governo amplo, sem ficar nessa disputa por espaços. Há quem jure que foi esse problema fez com que Alckmin voasse para São Paulo, ontem, a fim de conversar com Lula.
O pedido de Mantega a governos estrangeiros desgostou, ainda, a comunidade judaica, da qual Ilan Goldfajn faz parte. Como disse certa vez José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff, à coluna, “não se preocupe porque nossa capacidade de gerar problemas para nós mesmos é infinita”.
PEC mais
enxuta
O futuro governo praticamente fechou um consenso para enxugar a chamada PEC da Transição. A ideia é, inclusive, mudar esse nome para PEC do Bolsa Família, colocando apenas os R$ 600 extra-teto e tentar fazer isso de forma permanente, para que o governo não precise ficar renovando esse alívio.
A hora é essa
A avaliação dos parlamentares é a de que por aí fica mais fácil acalmar o mercado e, de quebra, atender os mais pobres. A ideia será amadurecida nos próximos dias, porque dentro da equipe de transição tem uma parcela mais ligada ao PT querendo aproveitar esse embalo da PEC para “passar uma boiada” de recursos extra-teto, algo que leva à agitação do mercado. É isso que será debatido nos próximos dias.
O serviço deles
é outro
Em sua primeira reunião, presidentes dos partidos que integram o conselho político do futuro governo criticaram a nota dos militares. O consenso geral foi o de que não é papel dos comandantes falar sobre política, ainda mais legitimando atos que pregam a intervenção militar e
golpes no país.
A discreta senadora/
Citada como uma das pré-candidatas a presidente do Senado, a senadora eleita Tereza Cristina (PP-MS, foto) sai com esta quando alguém a aborda sobre esse tema: “Pato novo não mergulha fundo”.
Enquanto isso, outros eleitos.../
Senadores da futura base governista têm andado por Brasília conversando com diversas autoridades, fazendo exigências políticas e tentando interferir em questões pertinentes aos três Poderes.
... esquecem os conselhos antigos/ No Congresso, muitos senadores dizem que é preciso agir com mais humildade, parcimônia e refletir sobre um famoso ditado do reeleito senador Romário (PL-RJ). Certa vez, o craque do tetra mandou o seguinte recado: “Entrou no ônibus agora e quer sentar na janela”. Melhor seguir o conselho do Baixinho para não ficar mal com o presidente eleito, que detesta protagonismo exagerado.
Por falar em rampa.../
Não foram poucos aqueles que se diziam aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) e que, nesta semana, subiram a rampinha da transição, no CCBB, para ouvir o discurso de Lula para os parlamentares. Isso deu ao futuro governo a certeza de que não será tão difícil negociar com os congressistas.
É 15h e ponto!/
Uma das perguntas da primeira-dama Janja à equipe de transição
foi a respeito do horário da posse, se não poderia ser mais cedo. Foi explicado a ela que esse horário é tradicional, por causa da posse dos governadores, a fim de dar tempo para que deputados e senadores e outros interessados cheguem a Brasília para
a posse presidencial.