Visto, lido e ouvido

CORREIO BRAZILIENSE (DF) | COLUNAS | 12/11/2022

Desde 1960

Circe Cunha (interina)
circecunha.df@dabr.com.br

Publicação: 12/11/2022 04:00

Fotos amareladas

Quem observa com atenção antigas fotos em preto e branco, tiradas há pouco mais de meio século, mostrando cenas de nossas principais capitais, ruas, avenidas, parques e centros de comércio, nota, logo de saída uma diferença significativa e que ilustra um fato curioso: como eram bonitas e organizadas nossas metrópoles, com cada coisa em seu lugar. As principais ruas eram limpas, arborizadas, os prédios bem dispostos, bem cuidados. Os parques exibiam estátuas e monumentos intocados, haviam bebedouros, públicos espalhados pela cidade. O trânsito fluía, as pessoas pareciam caber nas ruas. Tudo estava em seu lugar.

Nos centros urbanos, não se via lixo, pichações, parecíamos estar vendo uma outra cidade de outro país distante. Vendo essas imagens e olhando em volta para o que temos agora, o sentimento que prevalece é de que, naquela época, havíamos resolvido grande parte de nossos problemas urbanos atuais.

Passado tanto tempo, a pergunta que se impõe é o que teria ocorrido com nossas principais capitais? Comparando esses mesmos sítios ontem e hoje é visível a deterioração e o envelhecimento precoce de nossos espaços públicos. Por que esse mesmo fenômeno não afetou cidades como Paris e Roma, bem mais antigas e tão bem conservadas? Nossas principais cidades simplesmente envelheceram num ritmo alucinante.

É certo que o Brasil de 50 anos atrás tinha seus problemas, mas o registro em imagens, gravado no papel, mostram as metrópoles brasileiras como um lugar, outrora, aprazível e seguro. Mesmo Brasília, tão nova e moderna, basta um olhar nas fotos captadas nos anos 1960 para se constatar que o passar do tempo maltratou muito a capital do país. Imagens mostrando a Rodoviária central, o Setor Comercial Sul, a W3 e outros endereços, registram uma cidade que não existe mais e que foi engolida pelo progresso ligeiro e oportunista.

Nos últimos anos, esse processo de deterioração se acelerou com a entrada de novos personagens no comando da cidade, retaliada entre grupos políticos. O que se observa, agora, é a degradação dos espaços públicos, com os puxadinhos horrendos tomando conta de tudo, até de paradas de ônibus.

O comércio sobre rodas, caracterizado pelos chamados food trucks, uma inovação importada às pressas dos Estados Unidos, que não respeita canteiros centrais, áreas verdes, nada. Invadem cada canto, improvisando um comércio de alimentos que todos sabemos, não passa pelo crivo da vigilância sanitária.

Leis, feitas sob encomenda e que irão beneficiar mais aqueles que as confeccionam do que a população em geral, são produzidas em quantidade, favorecendo todo o tipo de empreendimento. Com isso a cidade que deveria ser modelo para o mundo, entra pouco a pouco num processo de decadência triste e irreversível, restando apenas lembranças gravadas em fotografias em preto e branco e que nos dão a certeza de que éramos felizes e não sabíamos.


» A frase que foi pronunciada

“Democracia quer simplesmente dizer o desencanto do povo, pelo povo, para o povo.”
Oscar Wilde

De presente
Conhecido como o mar de Brasília, o céu apresentou uma surpresa espetacular ontem na capital. Um halo em volta do sol chamava a atenção. No Blog do Ari Cunha, as fotos de João Andrade, aniversariante do dia.

Atuação
Engatinhando ainda no compartilhamento das informações de atividades parlamentares, a Câmara Legislativa tem o Senado Federal e a Câmara dos Deputados para se espelhar. Só assim vai se tornar transparente. Por enquanto, as informações são escassas.

Educação
Poeira e Batom é um documentário de Tânia Fontenele que deveria ter apresentação obrigatória nas escolas públicas e particulares da capital. Uma cidade tão nova precisa ter a origem conhecida pelos jovens.

Gestão
Mulher passa mal aguardando atendimento no Cras. O problema é o horário de funcionamento. A demanda é enorme e o tempo de portas abertas é muito pouco.

» História de Brasília
Já que o assunto é fiscalização, aqui está uma: as casas da Caixa Econômica, na W-3, estão abolindo dependências de empregadas, para alugar a escritórios e oficinas. E o pior. Já estão colocando basculantes nas paredes externas, não se sabe com ordem de quem. (Publicada em 13/3/1962)




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