Pela pacificação
Segundo relata a enviada especial Denise Rothenburg, o ex-presidente Michel Temer deixou claro, ao abrir o Lide Brazil Conference, em Nova York, que tanto o presidente Jair Bolsonaro quando o futuro presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, estão errando nesse processo de transição e deveriam, em nome da pacificação do país, buscar um diálogo. "O presidente eleito, em vez de fazer críticas ao atual, deveria pedir a sua colaboração e a de todos os brasileiros. Vamos conversar e vamos reconstruir o Brasil", afirmou Temer, que destacou a ideia de paz e harmonia como determinação do texto constitucional.
A campanha acabou Um dos palestrantes de hoje, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles reiterou que o presidente Lula precisa sair do "modo campanha" e assumir o papel de presidente eleito. "É preciso que venha aquele Lula de 2002, com responsabilidade fiscal", disse o ex-ministro. Meirelles considera que o único consenso até agora em torno da PEC da Transição é a concessão dos R$ 600, e que é preciso garantir esse valor. "Se o presidente Lula não sair do modo campanha, a negociação ficará mais difícil", afirmou.
Disfarce A fim de evitar a hostilidade de manifestantes bolsonaristas, o ministro Dias Toffoli adotou uma saída clássica: usar um disfarce. Um gorro, um par de óculos escuros e uma máscara anticovid foram suficientes para deixar o ministro do STF irreconhecível para os olhos mais desatentos.
Corrida da vacina Enquanto o Ministério da Saúde faz um apelo para a população completar o ciclo vacinal - mais de 60 milhões de brasileiros não tomaram a primeira dose de reforço -, outro problema aguarda providência. Está na fila da Anvisa o uso da vacina bivalente, considerada eficaz no combate à subvariante da ômicron que colocou as autoridades em alerta. O coronavírus está mais rápido do que a prevenção.
Longa batalha O senador Marcelo Castro (MDB-PI), relator-geral do Orçamento, diverge do conterrâneo Ciro Nogueira (PP-PI), senador e ministro chefe da Casa Civil, sobre o prazo de validade da PEC que deve garantir a continuidade do Auxílio de R$ 600. "Não vejo necessidade alguma de colocarmos um prazo de validade em uma medida social, que vai ter um impacto da mais alta importância na vida dos brasileiros mais pobres", diz
Um ano é pouco Diferentemente de Nogueira, que defende as excepcionalidades da PEC por apenas um ano, Castro é favorável a uma solução permanente para o Bolsa Família. "Seria um desgaste e um risco desnecessários termos que fazer uma articulação política todos os anos para convencer os parlamentares do óbvio: a nossa responsabilidade social com os mais carentes", afirma.
A melhor resposta para as agressões
A eleição presidencial está definida há mais de duas semanas, mas resiste a insatisfação de uma parcela dos brasileiros quanto ao resultado das urnas. As mais extremadas puderam ser vistas em Nova York, onde manifestantes xingaram ministros do Supremo Tribunal Federal reunidos em um evento empresarial. O bolsonarista Allan dos Santos, foragido da Justiça brasileira, chamou de "vagabundo" e termos mais baixos um brasileiro que estava na região. Em Brasília, centenas de manifestantes pretendem circular, hoje, pelas principais avenidas da capital federal. Mais uma vez, os protestos buscam contestar o processo eleitoral, atacar integrantes do Judiciário e apelar a uma intervenção das Forças Armadas - que, de resto, reafirmaram na semana passada o compromisso de cumprir a Constituição. Neste ambiente tumultuado, somente uma resposta institucional será capaz de tratar as feridas. Nesse sentido, aumenta a importância da transição, pois mostra ao país que o governo titular e o que virá buscam um entendimento mínimo para atender às demandas nacionais mais urgentes. Mas ainda será preciso uma atuação firme do governo Lula, do Congresso e do Judiciário para que a ordem democrática prevaleça sobre o ódio e a baderna, a fim de unificar o país.