Sem pressa
Pela quantidade de alimentos, água e banheiros químicos presentes no acampamento do Quartel General do Exército, tudo indica que os manifestantes contrários ao resultado das urnas continuarão no local por um bom tempo. Nos últimos dias, apenas os militares - primeiro o Ministério da Defesa, depois o general Villas Bôas - comentaram os protestos, com apoio às manifestações.
Só de longe Entre os políticos, a declaração mais relevante veio do presidente Jair Bolsonaro. O chefe do Executivo pediu para os manifestantes não bloquearem estradas, respeitando o direito de ir e vir. No início do mês, os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG), Carla Zambelli (PL-SP) e Daniel Silveira (PTBRJ) apoiaram explicitamente as ações dos grupos bolsonaristas. Mas nenhum deles se juntou aos protestos.
Despiste No acampamento do QG, os participantes dos protestos contra as eleições adotam estratégias específicas: 1) Não mencionar o nome do presidente Bolsonaro; 2) Despistar sobre possíveis líderes dos movimentos; 3) Dizer que empresários têm colaborado financeiramente com os protestos. Com esses artifícios, os manifestantes acreditam que estarão livres de problemas com a Justiça
Diagnóstico O Tribunal de Contas da União (TCU) informará ao governo de transição dados sobre obras públicas no Brasil. O levantamento vai apontar uma lista de 29 "áreas críticas" no Executivo, com riscos de fraude.
Carimbo Antes mesmo de o diagnóstico do TCU vir a público, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, politizou a questão. Em uma rede social, escreveu: "TCU vai nos enviar relatório de 29 áreas com suspeita de fraude, desperdício, abuso de autoridade e má gestão de Bolsonaro. Em um dos setores o prejuízo é de R$ 5,6 bi. Daí se vê que fala anticorrupção era enganação. Vamos fazer pente fino e mostrar à sociedade o que encontramos".
Telhado de vidro A estratégia do PT pode ter impacto limitado. Na campanha eleitoral, corrupção foi um dos assuntos mais incômodos para Lula no enfrentamento com os adversários. Dois megaescândalos são algumas das críticas mais recorrentes a governos petistas. E o recente voo de Lula no jatinho de um empresário para o Egito reavivou mais suspeitas.
"Onde está o crime?" Em entrevista ao Roda Viva, o senador eleito Wellington Dias (PT-PI) disse não ver problema na carona. "Ele [Lula] ainda não é presidente da República, ele não se utiliza de voos do governo. Hoje ele é uma pessoa física - eleita presidente, mas uma pessoa física", alegou. "Foi de carona, gente
Onde está o crime?", acrescentou.
Sem pressa
Pela quantidade de alimentos, água e banheiros químicos presentes no acampamento do Quartel General do Exército, tudo indica que os manifestantes contrários ao resultado das urnas continuarão no local por um bom tempo. Nos últimos dias, apenas os militares - primeiro o Ministério da Defesa, depois o general Villas Bôas - comentaram os protestos, com apoio às manifestações.
Só de longe Entre os políticos, a declaração mais relevante veio do presidente Jair Bolsonaro. O chefe do Executivo pediu para os manifestantes não bloquearem estradas, respeitando o direito de ir e vir. No início do mês, os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG), Carla Zambelli (PL-SP) e Daniel Silveira (PTBRJ) apoiaram explicitamente as ações dos grupos bolsonaristas. Mas nenhum deles se juntou aos protestos.
Despiste No acampamento do QG, os participantes dos protestos contra as eleições adotam estratégias específicas: 1) Não mencionar o nome do presidente Bolsonaro; 2) Despistar sobre possíveis líderes dos movimentos; 3) Dizer que empresários têm colaborado financeiramente com os protestos. Com esses artifícios, os manifestantes acreditam que estarão livres de problemas com a Justiça
Diagnóstico O Tribunal de Contas da União (TCU) informará ao governo de transição dados sobre obras públicas no Brasil. O levantamento vai apontar uma lista de 29 "áreas críticas" no Executivo, com riscos de fraude.
Carimbo Antes mesmo de o diagnóstico do TCU vir a público, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, politizou a questão. Em uma rede social, escreveu: "TCU vai nos enviar relatório de 29 áreas com suspeita de fraude, desperdício, abuso de autoridade e má gestão de Bolsonaro. Em um dos setores o prejuízo é de R$ 5,6 bi. Daí se vê que fala anticorrupção era enganação. Vamos fazer pente fino e mostrar à sociedade o que encontramos".
Telhado de vidro A estratégia do PT pode ter impacto limitado. Na campanha eleitoral, corrupção foi um dos assuntos mais incômodos para Lula no enfrentamento com os adversários. Dois megaescândalos são algumas das críticas mais recorrentes a governos petistas. E o recente voo de Lula no jatinho de um empresário para o Egito reavivou mais suspeitas.
"Onde está o crime?" Em entrevista ao Roda Viva, o senador eleito Wellington Dias (PT-PI) disse não ver problema na carona. "Ele [Lula] ainda não é presidente da República, ele não se utiliza de voos do governo. Hoje ele é uma pessoa física - eleita presidente, mas uma pessoa física", alegou. "Foi de carona, gente
Onde está o crime?", acrescentou.
PEC e COP27 são prévia do governo Lula
O futuro governo Lula promete dar dois passos importantes nesta quarta-feira. No Congresso Nacional, a apresentação da Proposta de Emenda à Constituição pode ser interpretada como o registro do primeiro documento formal da transição. A versão final da PEC medirá, a um só tempo, o nível de entendimento entre o governo que sai e o governo que chega e a força de articulação da bancada alinhada com o governo Lula. No Egito, o presidente eleito mostrará as credenciais do Brasil em relação às mudanças climáticas, tema que ganhou centralidade na agenda global. Lula falará no momento em que o mundo renova as expectativas em relação à capacidade do país de contribuir para atenuar as mudanças climáticas. É provável que o petista ressalte o lado social do debate, ao lembrar que as ameaças ambientais são mais severas nos países em desenvolvimento e/ou com altos índices de desigualdade econômica. Passada a euforia da vitória nas urnas, o governo Lula começa a assumir feição. Se não pelo nome de seus integrantes, assunto tratado com reserva, ao menos pelos sinais emitidos em Brasília ou no exterior