Distribuidoras de energia elétrica investem na agenda ESG

O GLOBO (RJ) | POLÍTICA | 30/05/2023
Responsáveis por mais de 200 mil empregos diretos, as distribuidoras de energia elétrica atendem 99, 8% da população brasileira e são o serviço público mais capilarizado do país, presente em 86, 7 milhões de unidades consumidoras. Com essa capacidade incomparável de alcançar dos grandes centros urbanos aos povoados mais distantes, de norte a sul do território, as concessionárias fazem da agenda ESG (ambiental, social e governança, na sigla em inglês) um propósito cada vez mais presente em seus planos de ação e investimento.

Dados da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) apontam que, em 2021 e 2022, as empresas do setor investiram na ordem de cerca de R$ 6, 5 bilhões nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Os ODS são um conjunto de 17 metas globais para erradicar a pobreza, preservar o planeta e promover a paz e a prosperidade da população.

— As distribuidoras de energia elétrica têm, além da sua atuação natural na prestação de serviço, uma série de ações de cunho socioambiental. Os investimentos em ODS são bastante diversificados. Sem dúvida, ter uma relação muito próxima com populações que estão, por exemplo, em maior vulnerabilidade social faz com que as distribuidoras desenvolvam essas ações, que também envolvem cuidados com o meio ambiente e desenvolvimento de comunidades. É um papel fundamental no dia a dia das distribuidoras — afirma Marcos Madureira, presidente da Abradee.

METAS

Todas as metas da ONU foram contempladas com investimentos do segmento de distribuição de energia. Consumo e produção responsáveis (ODS12) e boa saúde e bem-estar (ODS3) receberam importantes ações que já transformam a vida de muitas pessoas. Um exemplo são as hortas comunitárias cultivadas em terrenos sob as linhas de distribuição de energia, com apoio de empresas como Copel, no Paraná, e Enel, em São Paulo.

A população paranaense tem colhido ótimos frutos com o Programa Cultiva Energia. Além da distribuição na comunidade, os mais de 350 produtores envolvidos vendem o excedente. Em Londrina, ahorta comunitária do Jardim Lola ta é cultivada por dez famílias. A horta Paraíso Dembinski, em Curitiba, tem 35 produtores.

— Saio de casa motivado, sabendo que posso ajudar pessoas que precisam de comida — conta o metalúrgico aposentado Euclides Nunes Pereira.

O programa fornece apoio técnico e de segurança para os moradores e funciona em parceria com as prefeituras de cada localidade. Na dinâmica, o município oferece a assessoria técnica para a agricultura urbana e a Copel é responsável pela cessão de uso da faixa, limpeza da área, instalação de cercas e orientação permanente a respeito da segurança no uso do espaço. Ele já soma mais de 40 mil m? de área destinada para plantio de hortaliças e legumes em faixas de segurança de linhas da Copel Geração e Transmissão e da Copel Distribuição.

O projeto Hortas em Rede, da Enel, aproveita os espaços urbanos de forma produtiva e sustentável. São 50 hortas na capital paulista e no Grande ABC. Em cinco anos, apenas duas hortas na zona leste da capital geraram R$ 1, 5 milhão de renda aos agricultores e beneficiaram mais de 900 pessoas.

O projeto conta com parceiros no manejo das hortas, ajudando a transformar regiões, antes de deficitária , em polos de produção e desenvolvimento socioeconômico por meio da agricultura urbana, com : a produção de alimentos : saudáveis, como hortaliças, legumes e frutas. As hortas proporcionam > capacitação profissional, inclusão social e geração de renda, por meio da comercialização dos produtos. O projeto Hortas em Rede tem o objetivo de tornar mais eficiente os ativos da Enel, além de favorecer uma alimentação mais saudável e acessível.

O Hortas em Rede também trabalha com o conceito de economia circular, tema estratégico e relevante para a companhia, por meio da utilização de parte dos resíduos de podas efetuadas pela concessionária, em compostos orgânicos para fertilização dos solos.

“As distribuidoras de energia elétrica têm, além da sua atuação natural na prestação de serviço, uma série de ações de cunho socioambiental”

MARCOS MADUREIRA

Presidente da Abradee

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