PEDRO DORIA
Ao longo dos últimos dias, se confirmou algo que já era esperado. O valor de mercado da Microsoft, cujas ações são negociadas na Bolsa de Nova York, ultrapassou o da Apple. A empresa fundada por Bill Gates e Paul Allen se tornou a maior do mundo. O movimento diz menos sobre um fracasso da Apple e mais sobre o que está mudando no mundo. A inteligência artificial (IA) já é o negócio mais importante que há.
Microsoft e Apple são as duas grandes empresas que nasceram da segunda geração do Vale do Silício. Uma saiu na frente fabricando as máquinas.
A outra inventou o mercado do software – aquilo que fazia das máquinas, úteis. Nos anos 1980 e 90, brigaram de frente, definindo o que os computadores seriam. Mas quando o Windows deu à Microsoft tanto poder que ela se tornou monopolista e a terceira geração do Vale vinha com força desbravando a internet, a empresa foi obrigada a enfrentar um processo antitruste por abuso de poder.
Ambas viveram momentos de decadência. A Apple se perdeu na primeira metade dos anos 1990, com uma série de CEOs sem visão clara de para onde ir. Isso mudou quando Steve Jobs retornou ao comando e deu a linha que levaria ao iMac, ao iPod e ao iPhone – que definiu como o celular se encontrava com a rede mundial de computadores. Foi a criação do iPhone que permitiu à Apple se tornar a primeira empresa de tecnologia no topo da NYSE, em 2011; a primeira empresa americana a valer mais de US$ 1 trilhão, em 2018; e a primeira da história a ultrapassar os US$ 2 trilhões, em 2020. No ano passado, chegou por um tempo a valer mais de US$ 3 trilhões.
A decadência da Microsoft chegou com o novo século. Ter vencido o governo americano na Justiça foi uma vitória de Pirro. Parecia uma empresa velha, enquanto companhias como Google e Amazon sugeriam o futuro da tecnologia.
Quando Satya Nadella assumiu o posto de CEO, em 2014, mudou tudo. Deixou o Windows de lado para botar o Azure, seu serviço de nuvem, no centro dos negócios. O conjunto de aplicativos do Office foi também para a rede. Dava para acessar de qualquer computador no mundo seus arquivos. A decisão reorientou a companhia, voltou a torná-la lucrativa e em crescimento. O Azure é o segundo do mundo em nuvem, atrás apenas da Amazon. É possível que se torne o primeiro neste ano.
Mas a decisão de investir na OpenAI, uma startup de IA que ainda não havia sacado do bolso seu ChatGPT, foi o grande momento de Nadella. Com o nome CoPilot, os recursos de IA vão se espalhando por todos os produtos da Microsoft. A Apple não está em decadência. Mas Nadella acertou quase sempre.
O investimento na OpenAI antes da chegada do ChatGPT foi o grande momento de Satya Nadella