O Tribunal de Justiça do Paraná determinou a suspensão temporária de uma licitação do Governo do Estado, avaliada em quase um bilhão de reais, destinada à criação de centros de atendimento ao cidadão em diversas cidades. Publicado em junho, o edital visava à contratação de uma empresa para a implantação, gestão, operação e manutenção de vinte unidades de atendimento em dezoito cidades, incluindo três em Curitiba, com o contrato prevendo um prazo de cinco anos. O projeto "Descomplique Paraná" tem como objetivo centralizar o atendimento de quatorze órgãos, como Detran, Secretaria da Educação, Procon, Secretaria da Justiça e Trabalho, entre outros.
A suspensão foi motivada por indícios de irregularidades apontados pelo Tribunal de Contas e por empresas interessadas, incluindo sobrepreço e restrição à competitividade devido a exigências técnicas consideradas ilegais. O desembargador Rogério Edson, relator do processo, citou um relatório do Tribunal de Contas que destacou, por exemplo, um sobrepreço de quase trinta e seis milhões e meio de reais apenas no item energia elétrica, além de exigências que limitavam a participação de empresas no certame.
Apesar das alegações de irregularidades, o secretário do planejamento, Guto Silva, defendeu a licitação, argumentando que não há irregularidades ou restrição à concorrência e que as exigências elevadas visam garantir a capacidade técnica das empresas participantes, evitando a contratação de serviços não executados. Silva também argumentou que a implementação das unidades de atendimento representaria uma economia significativa para o estado, reduzindo o custo médio por atendimento.
O Governo do Estado recorreu da decisão de suspensão da licitação, mas ainda não há um prazo definido para que a justiça analise o recurso.