Gaeco prende duas pessoas em 3 operações simultâneas

BOM DIA PARANÁ (PR) | GLOBO | NOTÍCIAS | 31/10/2024



O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) realizou a prisão de duas pessoas e executou mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná e Santa Catarina. As operações, que ocorreram simultaneamente, investigam um assassinato na Casa de Custódia de São José dos Pinhais em 2022, além do recebimento de vantagens indevidas pelo então chefe do Departamento de Polícia Penal do Paraná. No total, foram cumpridos dezessete mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária, com ações em Maringá, Curitiba e cidades do litoral. Durante as operações, além das prisões temporárias, uma pessoa foi presa em flagrante, mas os nomes dos envolvidos permanecem sob sigilo.

O Ministério Público investiga três crimes principais: um homicídio e outros delitos ligados ao traficante Marcos Silas e membros de uma facção criminosa dentro da Casa de Custódia de São José dos Pinhais. A investigação se expandiu após a análise de conteúdos encontrados em aparelhos telefônicos dos suspeitos, buscando esclarecer também o suposto pagamento de propina ao ex-diretor do Departamento Penitenciário do Paraná, o delegado Francisco Caricati, e ao ex-diretor do centro de custódia, ambos sob investigação.

Um dos focos da operação é o suposto pagamento de vantagens ilícitas a funcionários públicos para proporcionar regalias ao líder da organização criminosa, que havia sido preso em São Paulo e estava sendo transferido para o sistema prisional paranaense. Um relatório de inteligência sugere que Marcos Silas teria comprado parte da alta cúpula do Departamento Penitenciário do Paraná e que Caricati, que esteve à frente do departamento entre 2018 e 2022, teria recebido um milhão de reais para manter Silas em uma ala da prisão que permitisse o uso de celular, entre outras regalias.

Caricati foi alvo de dois mandados de busca, um em sua residência em Maringá e outro na delegacia de trânsito que comandava na cidade. O relatório também menciona que o traficante teria pago mais quinhentos mil reais para evitar sua transferência para outra penitenciária, embora não especifique o destinatário do pagamento. Após a revelação do caso, o secretário de segurança pública, Hudson Teixeira, determinou a abertura de uma sindicância para investigar as alegações, cujos resultados, concluídos há um mês, não foram divulgados. As conclusões foram encaminhadas à direção geral da Polícia Civil, ao Departamento Penitenciário e ao Ministério Público. A defesa de Francisco Caricati afirmou que se pronunciará após ter acesso aos autos da investigação.
Entrevistado: Fernando Cubas César, promotor de Justiça.

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