Idosa e filha suspeitas de criar falsa mãe de santo para golpes também fingiram ser advogada para falsificar processos no PR, diz polícia

Segundo delegado de Jandaia do Sul, que investiga o caso, mulheres prometiam 'cirurgias espirituais' e prometiam resolver processos judiciais em troca de dinheiro. Identidades não foram divulgadas.

G1 - PARANÁ (PR) | ÚLTIMAS NOTÍCIAS | 26/06/2025
POR G1 PR
Mãe e filha, de 64 e 49 anos, são investigadas pela Polícia Civil (PC-PR) de Jandaia do Sul, no norte do Paraná, por se passarem por uma advogada e falsificarem processos judiciais.
Elas também se passavam por uma mãe de santo.
O prejuízo estimado, de acordo com a polícia, é de R$ 2 milhões.
O caso está sendo investigado.
Além de criar uma falsa mãe de santo para aplicar golpes, mãe e filha, de 64 e 49 anos, também são suspeitas de se passar por uma advogada e falsificar processos judiciais. As duas são investigadas pela Polícia Civil (PC-PR) de Jandaia do Sul, no norte do Paraná, que realizou uma operação nesta quarta-feira (25).
Uma delas, de acordo com a apuração do delegado Saulo Batista, se passava por uma advogada chamada sandra. A personagem dizia morar na Europa e os atendimentos precisavam por telefone.
Segundo o delegado, a suspeita dizia que as vítimas estavam respondendo por alguns processos – que, na verdade, não existiam – e cobrava valores com a promessa de ter o poder de influenciar juízes e membros do Ministério Público para terem sentenças favoráveis.
Em alguns casos, a falsa advogada dizia que as vítimas poderiam ser presas, caso o processo não fosse resolvido.
Para tentar passar credibilidade, idosa e filha são suspeitas de falsificar documentos e processos judiciais. Conforme o delegado, uma das vítimas chegou a confrontar um dos documentos junto a um cartório, que reconheceu que ele não era legítimo.
As mulheres passaram a ser investigadas há dois meses, quando quatro vítimas registraram boletins de ocorrência. São apurados crimes de estelionato, extorsão e exploração de prestígio - que consiste em solicitar, receber dinheiro ou qualquer outra vantagem, a pretexto de influenciar decisões de autoridades ou servidores públicos no âmbito do Poder Judiciário.
Conforme o delegado, estima-se que no último ano o prejuízo gerado às vítimas seja próximo de R$ 2 milhões. A polícia afirma que um imóvel em Maringá está entre os bens que foram transferidos para as suspeitas como pagamento.
As identidades das suspeitas não foram divulgadas.
LEIA TAMBÉM:
Mãe e filha também são suspeita de criar uma falsa mãe de santo. As vítimas pagaram valores que variam entre R$ 3 mil e R$ 75 mil pelos atendimentos.
Segundo a polícia, as vítimas eram pessoas conhecidas das mulheres. Elas acreditavam que estavam sendo atendidas pela líder espiritual, que seria da Bahia, e se chamava Vozinha. A personagem era interpretada por uma das suspeitas e fazia os "atendimentos" também somente por telefone.
A falsa líder espiritual chegava a dizer que as vítimas ou os familiares iam desenvolver tumores e outras doenças. Para que isso não acontecesse, precisavam fazer "cirurgia espiritual" e realizar os pagamentos.
Na manhã desta quarta-feira (25), a Polícia Civil cumpriu três mandados de busca e apreensão em endereços das investigadas. Na ação, um revólver e munições foram apreendidos e o marido de uma delas foi preso por porte ilegal de armas.
Segundo o delegado, o Poder Judiciário também autorizou o sequestro de bens das suspeitas, como joias e um carro avaliado em R$ 200 mil. Elas estão respondendo ao processo em liberdade e foram intimadas para prestar depoimento na próxima sexta-feira (27).
Estima-se que os golpes eram aplicados desde 2012. Todos os valores eram pagos por transferências bancárias ou entregues em espécie a uma das suspeitas.
De acordo com o delegado, a primeira denúncia aconteceu depois que o filho de uma das vítimas percebeu o desfalque em uma das empresas e descobriu que a mãe usava o dinheiro para pagar os serviços prestados pelas personagens criadas pelas investigadas.
A Polícia Civil (PC-PR) continua investigando o caso. Novas denúncias podem ser feitas pelo telefone (43) 3432-4000.
Leia mais em g1 Norte e Noroeste.


>> Link Original

#81682507